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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que Brasil não será barrado na Olimpíada, mesmo após virar pária

Crimônia de abertura do Pan em Lima - Jonne Roriz/COB
Crimônia de abertura do Pan em Lima Imagem: Jonne Roriz/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/04/2021 18h32

A seleção brasileira de tiro com arco foi impedida de entrar na Guatemala para disputar uma competição. As de basquete foram barradas na Colômbia. A de mountain bike ficou fora do Pan em Porto Rico. A de marcha atlética, se quiser competir no Equador, terá que deixar seus atletas 10 dias trancados no hotel.

Longe de conseguir controlar o avanço interno da pandemia e, por consequência, das novas cepas do novo coronavírus, o Brasil virou pária internacional e isso está afetando também o esporte olímpico, faltando menos de 100 dias para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Nesse cenário, cresce o temor de que a delegação brasileira seja barrada também no Japão. Mas a chance de isso acontecer é zero. O Time Brasil será representado do outro lado do mundo.

Mesmo que o Japão adote, como país, restrições à entrada especificamente de cidadãos brasileiros ou de pessoas que estiveram no Brasil em período anterior a duas semanas, existe a garantia de que os credenciados para os Jogos Olímpicos de Tóquio terão assegurado o ingresso no país oriental. Isso é previsto no chamado Contrato da Cidade-Sede, que delimita os compromissos dos anfitriões, dos organizadores e do Comitê Olímpico Internacional.

"Os Jogos Olímpicos são para unificar o mundo. Isso significa que todos os Comitês Olímpicos Nacionais são convidados a participar dos Jogos Olímpicos e o país anfitrião facilita o acesso ao seu território de acordo com o Contrato da Cidade-Sede", respondeu o COI, ao ser questionado pela reportagem.

É esse contrato que torna diferente a situação dos atletas brasileiros no Japão e em outros países em relação às regras adotadas atualmente para os demais brasileiros e pessoas que passaram pelo país. Quando a Guatemala decide fechar as fronteiras para quem chegue do Brasil (e também da África do Sul e do Reino Unido), isso inclui turistas, trabalhadores e atletas que estavam inscritos para a Copa do Mundo de Tiro com Arco, por exemplo. No caso específico do Japão, o governo local se comprometeu, como condição para receber a Olimpíada, a não impor restrições aos credenciados.

Assim, desde que cumpram os protocolos estabelecidos conjuntamente por governo, COI e comitê organizador, os brasileiros credenciados — atletas, técnicos, dirigentes, árbitros, oficiais, jornalistas — terão entrada assegurada no Japão. Esses protocolos, apresentados em fevereiro, ainda serão rediscutidos mais duas vezes até julho.

"As contramedidas descritas nos Playbooks descrevem as responsabilidades pessoais que os principais interessados devem assumir para desempenhar seu papel na garantia de Jogos Olímpicos e Paraolímpicos seguros e bem-sucedidos neste verão. Os Playbooks fornecem uma estrutura de princípios básicos que cada grupo de partes interessadas deve seguir antes de viajar para o Japão, ao entrar no Japão, durante seu tempo nos Jogos e ao sair dos Jogos. Eles fornecerão orientação e definirão parâmetros que permitirão que as pessoas e organizações avancem em seu planejamento nesta fase, bem como a entrega dos Jogos de maneira segura para todos os participantes e a população do Japão", explicou o COI.

Hoje, os gargalos para o Time Brasil na Olimpíada são outros. Um deles, a escala. Não existem voos diretos entre o Brasil e o Japão e ao menos uma parada é necessária. E aí entra o risco de, em julho e agosto, esses países terem restrições para a entrada de brasileiros ou de pessoas originárias do Brasil.

O COB abriu concorrência para a compra das passagens de ida e volta para o Japão e fechou um grande contrato com a Air Canadá, para voos com escala no país da América do Norte. Para garantir que não haja imprevistos antes da Olimpíada, o comitê está em constante diálogo com a Embaixada do Canadá no Brasil e tem o compromisso de que os brasileiros poderão fazer uma parada lá, inclusive saindo do aeroporto e descansando em um hotel próximo.