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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Primeiro dia da seletiva de natação tem apenas dois classificados a Tóquio

Guilherme Costa comemora vaga na Olimpíada - Divulgação/CBDA
Guilherme Costa comemora vaga na Olimpíada Imagem: Divulgação/CBDA
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

19/04/2021 19h37

Apenas dois brasileiros conseguiram índice para os Jogos Olímpicos de Tóquio no primeiro dia da seletiva nacional, no Rio de Janeiro. Guilherme Costa alcançou a marca necessária nos 400m livre, para sua primeira Olimpíada, enquanto Felipe Lima, nos 100m peito, vai para os Jogos pela segunda vez. João Luiz Gomes Jr, que também tinha grande expectativa de índice no peito, ficou fora.

O torneio, que vai até sábado no Maria Lenk, classifica quem fizer índice A da Federação Internacional de Natação (Fina). Mas não necessariamente de forma definitiva. É que cinco nadadores que testaram positivo para covid recentemente farão uma repescagem em 12 de junho. Mas, desses, só Viviane Jungblut é favorita a uma vaga. Bruno Fratus, que recebeu autorização para fazer tomada de tempo nos EUA, já tem índice nos 50m livre.

A competição conta com menos de 100 atletas, uma vez que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) reduziu ao máximo o número de vagas, como parte de um protocolo sanitário. Isso fez com que as eliminatórias, pela manhã, se tornassem apenas uma burocracia na maioria das provas, porque todos avançam à final.

Como foi o primeiro dia

Já no começo da noite, a seletiva começou com a frustração pela não classificação de Brandonn Almeida. Medalhista de bronze no Mundial de Piscina Curta em 2018, o atleta do Sesi-SP era cotado para brigar por final em Tóquio e chegou a nadar abaixo do índice em uma competição regional no ano passado.

Mas hoje, único dia em que poderia se classificar para a Olimpíada, ele nadou mal. Completou os 400m medley em 4min16s49, até venceu a prova, mas o índice necessário era 4min15s84. Leonardo Santos (4min18s07) e o jovem Stephan Steverink (4min21s36), que tinham chances reais de vaga olímpico, também passaram longe.

"Parecia que tinha uma coisa me puxando para trás. É frustrante. Todo mundo que foi atleta sabe que a gente vive de altos e baixos. Não sei o que aconteceu. Dei dois tiros para 4min20s faz três semanas", contou após a prova, bastante decepcionado. Brandonn ainda nada os 200m livre, 200m medley, 200m costas e 200m borboleta e, se conquistar vaga em alguma dessas provas (não é forte candidato em nenhuma delas) poderia nadar os 400m medley em Tóquio.

O primeiro a fazer índice acabou sendo Guilherme Costa, conhecido como Cachorrão, que vai a Tóquio aos 22 anos. Com 3min45s85, ele bateu o recorde brasileiro e sul-americano dos 400m livre, que era dele mesmo, de 3min46s57. Foi também a segunda vez na história que um brasileiro nadou abaixo do índice exigido pela Fina para Tóquio: 3min46s78. Fernando Scheffer até melhorou seu recorde pessoal, mas bateu na trave com 3min47s77.

Cachorrão ainda tem tudo para conseguir a vaga olímpica nas duas provas mais longas da natação em piscina, 800m e 1.500m livre, e também vai tentar se classificar para Tóquio na maratona aquática. Ele passou pela seletiva nacional, estreando nas águas abertas, e vai nadar o Pré-Olímpico em Portugal.

Na prova mais aguardada do dia, os 100m peito, que tinha ao menos cinco atletas com condições de fazer índice, só Felipe Lima nadou abaixo dos 59s93 necessários. Aos 36 anos, ele venceu com 59s43, enquanto seu amigo e rival João Luiz Gomes Jr fez a prova em 1min00s15. "Estava com um pouco de vento, choveu um pouco antes da prova. Foi bacana, mas tem um pouco para melhorar", lamentou Felipe por não fazer um tempo melhor.

Curiosamente, essa é a quarta vez que ele faz índice para uma Olimpíada, mas só a segunda vez que se classifica. Em 2008 e 2016, outros dois brasileiros foram mais rápidos que ele. Agora, em um momento em que os tempos dos 100m peito baixam de forma significativa no mundo todo, só Felipe Lima fez índice. Felipe França foi apenas quinto com 1min01s01. Caio Pumputis (1min00s25) e Pedro Cardona (1min00s37) também ficam fora.

No feminino, como esperado, ninguém fez índice hoje. Nos 100m borboleta a vitória ficou com Giovanna Diamanti, com 59s03, mais de um segundo acima do índice. Mas esse resultado deu a ela o direito de ser a nadadora de borboleta na tomada de tempo do 4x100m medley, sábado, que pode classificar o revezamento brasileiro para a Olimpíada — e, neste caso, Giovanna seria a convocada.

Nos 400m medley, com Joanna Maranhão aposentada, ninguém passou nem perto do índice. A vitória ficou com Gabrielle Roncatto, que ainda vai buscar vaga nos 200m livre e nos 200m medley.