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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Boxe não fará Pré-Olímpico e Brasil classifica sete para Tóquio

Jucielen Romeu recebe a medalha de prata no boxe do Pan - Wander Roberto/COB
Jucielen Romeu recebe a medalha de prata no boxe do Pan Imagem: Wander Roberto/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/04/2021 16h32

A força-tarefa que organiza o boxe nos Jogos Olímpicos de Tóquio enquanto a Federação Internacional de Boxe Amador (Aiba) está suspensa do movimento olímpico decidiu hoje (15) cancelar, de forma definitiva, o Pré-Olímpico das Américas que estava marcado para acontecer em Buenos Aires (Argentina) a partir de 10 de maio. A boa notícia é que sete brasileiros estão classificados à Olimpíada pelo ranking. A má é que os demais estão fora de Tóquio sem ao menos terem a oportunidade de tentar se classificarem.

O processo de qualificação do boxe para Tóquio previa quatro Pré-Olímpicos continentais, na Ásia/Oceania, África, Américas e Europa, e depois o Pré-Olímpico Mundial como uma espécie de repescagem. Apenas os dois primeiros foram realizados antes da pandemia e os organizadores insistiam em realizar o europeu em Londres enquanto as fronteiras do mundo eram fechadas. No fim, o torneio não acabou. O das Américas, em Buenos Aires, foi adiado.

Em fevereiro, a força-tarefa informou que, com as dificuldades de trânsito causadas pela pandemia, não haveria tempo hábil para realizar os pré-olímpicos da Europa e das Américas, deixar os boxeadores descansarem um mês e organizar o Pré-Olímpico Mundial com mais um mês de folga antes da Olimpíada. Por isso, o Pré-Olímpico Mundial estava cancelado. O Europeu e o das Américas, mantido.

Mas hoje essa mesma força-tarefa decidiu cancelar o Pré-Olímpico das Américas também, "Esta é uma decisão difícil, mas é aquela que coloca os boxeadores em primeiro lugar e dá aos atletas, Federações Nacionais e Comitês Olímpicos Nacionais segurança antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020", disse o presidente da força-tarefa, o italiano Morinari Watanabe, dirigente da ginástica.

A competição iria distribuir de três a cinco vagas por categoria — são oito masculinas e cinco femininas — em um total de 49 vagas. Sem o Pré-Olímpico, o único critério de classificação será o ranking mundial que está sendo mantido pela força-tarefa e que é diferente do ranking da Aiba. Ele considera os resultados de dois campeonatos mundiais (100 pontos para o campeão do mais antigo, 300 do mais recente) e um evento continental (o campeão do Pan leva 150 pontos). E só.

Por esse ranking, sete brasileiros terão vaga olímpica, que ainda será confirmada pela força-tarefa até 30 abril. O destaque é Beatriz Ferreira, campeã mundial e líder do ranking na categoria até 60kg. Entre as mulheres, também estão classificadas Grazieli de Jesus (51 kg) e Jucielen Romeu (57 kg). Flávia Figueiredo, que também sonhava com vaga olímpica, ficou de fora. De qualquer forma, ela está suspensa por doping.

No masculino o Brasil terá Wanderson Oliveira (63 kg), Keno Machado (81 kg), Abner Teixeira (91 kg) e Hebert Conceição (75 kg). Keno e Hebert foram medalhistas de prata no Pan de Lima, em 2019. Os demais brasileiros que tentavam vaga olímpica estão fora de Tóquio.