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Olhar Olímpico

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Fechado com a França, Bernardinho deixa de ser sombra no Brasil

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

12/04/2021 15h31

É unânime que Bernardinho é um dos grandes treinadores da história do vôlei. E quem está nessa condição não costuma ficar muito tempo desempregado. Quatro anos depois de deixar a seleção masculina, por vontade própria, Bernardinho seguia como uma eterna sombra de Renan Dal Zotto, no time masculino, e José Roberto Guimarães, no feminino, voluntariamente ou não. Agora, ao fechar com a França, ele deixa esse posto.

Bernardinho tem currículo para treinar qualquer time ou seleção do mundo. Se o técnico segue à frente da equipe que na temporada passada se chamou Sesc-RJ/Flamengo é porque sente prazer nesse projeto, que tem sua cara. Mas a temporada do vôlei interclubes vai apenas de setembro a março, pegando no máximo uns dias de abril. As seleções ocupam o restante do calendário e, diferente do futebol, o mais comum é um mesmo treinador de ponta ter um clube e uma seleção para treinar.

Desde 2017, Bernardinho vinha trabalhando só seu próprio time, ficando ocioso no restante do tempo. Depois de tantos anos emendando uma temporada na outra, um descanso era mais do que merecido. Mas, mais cedo ou mais tarde, ele voltaria a comandar uma seleção. E, claro, havia a expectativa que fosse do Brasil, mesmo com nossas equipes muito bem servidas com Renan Dal Zotto e José Roberto Guimarães. Um, amigo próximo de Bernardinho. Outro, um desafeto.

Ambos, porém, conviviam com a sombra de Bernardinho. Uma sequência de maus resultados, ou mesmo um fracasso contundente na Olimpíada, poderia ser razão para um movimento pela volta do treinador dono de seis medalhas olímpicas. Agora isso sai do radar.

Bernardinho fechou contrato de três anos com a França, para treinar a equipe masculina da casa nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. É um projeto de médio prazo e que não passará pela pressão de classificar o time para a Olimpíada. É muito improvável que o treinador não comande a França até 2024, o que o tira completamente do radar no Brasil.

O técnico ainda não anunciou oficialmente, mas tudo indica que ele continuará a treinar o Sesc-RJ/Flamengo (talvez não com esse nome) na próxima temporada, acumulando funções, como é tão comum no vôlei (Zé Roberto treina o Barueri, e Marcelo Mendez, do Cruzeiro, a seleção da Argentina).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL