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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Sem Thaisa, seleção de vôlei vê fim da geração que desbravou o ouro

Equipe feminina de vôlei do Brasil recebe a medalha de ouro em Pequim (2008) - Cameron Spencer/Getty Images
Equipe feminina de vôlei do Brasil recebe a medalha de ouro em Pequim (2008) Imagem: Cameron Spencer/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

07/04/2021 11h58

Toda história tem um começo, um meio e um fim. A da geração que ganhou o primeiro ouro olímpico do vôlei feminino brasileiro, em 2008, parece ter chegado ao fim ontem (6), quando Thaisa anunciou sua aposentadoria da seleção. Agora, há menos de quatro meses dos Jogos de Tóquio, todas as 12 jogadoras daquele elenco campeão em Pequim estão fora do time de Zé Roberto Guimarães.

Há treze anos, na China, Thaisa era a caçula do time que tinha, como centrais titulares, Walewska e Fabiana. Aos 21, entrou poucos minutos em quadra na histórica final contra os Estados Unidos, mas ajudou na classificação sobre a China na semifinal. Desde então, tornou-se um dos pilares do time. Bicampeã como titular em 2012 e, nos últimos anos, a jogadora mais importante do elenco, fundamental no bloqueio contra rivais cada vez mais altas.

Zé Roberto contava com ela quando pensou o elenco que começa a temporada internacional e que vai à Itália para a Liga das Nações em maio, sendo surpreendido com a decisão tomada por Thaisa ontem mesmo, segundo ela, de se aposentar na seleção para descansar e, assim, prolongar a carreira jogando em clubes.

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Por decisão de Zé Roberto, outras duas antigas estrelas haviam sido aposentadas da seleção, ao menos provisoriamente: Jaqueline e Sheilla, ambas de 37 anos, não foram convocadas na lista inicial do treinador para a temporada. A primeira sofreu com problemas físicos em Osasco, enquanto a segunda jogou poucas partidas na recém-criada liga norte-americana.

Jaque, Sheilla e Thaisa são só três exemplos de campeãs olímpicas que seguem jogando, mas fora da seleção. Mari, de volta à quadra pelo Fluminense depois de passagem relâmpago pela areia, já não defende a seleção há algum tempo, assim como Walewska, que jogou a final da Superliga pela Praia Clube aos 41. Sassá hoje joga como líbero e Carol Albuquerque fez um pit-stop em Osasco em fevereiro para se aposentar "em casa". Fabiana Claudino talvez até volte ao vôlei, mas hoje seu foco está no nascimento, daqui a poucas semanas, do primeiro filho, Asaf.

O curioso é que, sem Thaisa, o Brasil deve recorrer a uma outra jogadora daquela geração, mas que, exatamente para dar lugar a Thaisa, não foi campeã olímpica. Carol Gattaz, de 40 anos, foi vice-campeã mundial em 2006 e 2010, mas, em 2008, foi a última cortada da lista de Zé Roberto. Também preterida em 2004 e 2012, nunca disputou uma Olimpíada. Sem Fabiana e Thaisa, tudo indica que não só estará em Tóquio, como, de longe, a mais experiente do elenco, como deverá ser titular e referência da equipe.

Nas redes sociais, o anúncio de que Thaisa não vai a Tóquio foi recebido com desespero. Em uma palavra, a resposta do fã de vôlei à decisão surpreendente foi: "ferrou". Sem a central o Brasil perde muito no bloqueio, perde uma líder, perde poder de fogo no ataque. Thaisa é, todo mundo sabe, insubstituível. Desfalcado dela, a chance de uma medalha em Tóquio parece cair consideravelmente.

Agora cabe a Zé Roberto achar uma solução para esse problemão. Ele já tinha em mente a necessidade urgente de renovar o elenco, mas especialmente depois da Olimpíada. Agora será preciso mudar um pilar do time, e muito em breve. A Liga das Nações começa daqui a pouco mais de um mês e a seleção não se encontra há quase dois anos. O trabalho será duríssimo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL