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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Caixa não renova patrocínios esportivos e Câmara quer ouvir Guedes

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/04/2021 17h34

A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados aprovou hoje (6) um requerimento convidando o ministro da Economia, Paulo Guedes, para explicar a política do governo quanto a patrocínios esportivos. Durante o governo Bolsonaro, os Correios deixaram de apoiar o esporte olímpico e até agora a Caixa Econômica Federal não renovou os contratos vencidos no fim do ano passado com as confederações de atletismo e ginástica e com o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB).

Em um movimento que vem desde o fim dos Jogos Olímpicos do Rio, logo, no governo Michel Temer (MDB), as estatais foram cortando aos poucos o tradicional apoio ao esporte olímpico. Na virada de 2016 para 2017, só a Petrobras encerrou os patrocínios às confederações boxe, esgrima, levantamento de peso, remo, taekwondo e judô, enquanto o BNDES cortou o patrocínio à canoagem e ao hipismo.

Já a Caixa, encerrado o ciclo olímpico passado, não renovou com wrestling e ciclismo e cortou de forma expressiva os repasses para atletismo, ginástica e CPB, em contratos de quatro anos, que se encerraram no fim de 2020. Passados quase 100 dias, esses contratos ainda não foram renovados. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), por exemplo, realizou um evento sem a marca do banco estatal pela primeira vez em 20 anos.

O Olhar Olímpico apurou que todas as três entidades estão otimistas que o contrato será renovado, mas só a partir de junho, e por apenas um ano. Provavelmente, com a Caixa repassando valores menores do que no ciclo passado. Foram R$ 95 milhões (em média, R$ 23 milhões por ano) para o CPB, R$ 60 milhões (média de R$ 15 milhão ao ano) para o atletismo e R$ 20 milhões (média de R$ 5 milhões) para a ginástica.

Sem esses três contratos, o apoio das estatais às confederações caiu de 20, em 2016, para apenas um atualmente: o contrato do Banco do Brasil com a Confederação Brasileira de Vôlei, de mais de R$ 50 milhões por ano, que vence no próximo dia 30 de abril. Já sob a presidência de Jair Bolsonaro (sem partido), os Correios romperam com os desportos aquáticos, o rúgbi e o tênis. Antes, haviam saído do handebol e do futsal, modalidade que não é olímpica. O handebol também perdeu, em 2018, o Banco do Brasil. A Infraero deixou o judô e a CBDV, dos deficientes visuais.

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É nesse contexto que a Comissão de Esporte aprovou o requerimento do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), presidente da comissão, para ouvir Guedes "com o intuito de debater políticas de patrocínios dos bancos oficias no fomento ao esporte", como informa o documento.

"Entendemos que tanto o Banco do Brasil quanto a Caixa Econômica Federal exercem papel fundamental na promoção do esporte no país por meio de seus patrocínios, mas devemos entender quais os critérios, quais modalidades, e se esses patrocínios vêm atendendo em sua plenitude a finalidade social", justifica Carreras. O pedido inicial, de convocação, porém, foi substituído por um convite.