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REPORTAGEM

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Como vôlei e basquete driblam proibições para terminar campeonatos

Lance de Corinthians x Minas pelo NBB - Mariana Sá/LNB
Lance de Corinthians x Minas pelo NBB Imagem: Mariana Sá/LNB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

31/03/2021 04h00

As proibições para realização de jogos vêm dificultando não só a manutenção do calendário do futebol, mas também de outras modalidades. Com o estado de São Paulo na fase emergencial e o abre-fecha em diversos outros locais, torneios de basquete e de vôlei planejam encerrar suas temporadas concentrando dezenas de jogos em uma única cidade sede.

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) queria usar seu CT em Saquarema (RJ) para todos os jogos já das quartas de final da Superliga. A estratégia foi rejeitada pela assembleia dos clubes, que preferiram manter o calendário planejado. Faltou combinar com as autoridades. Segunda melhor campanha da fase de classificação no masculino, Taubaté teve de decidir vaga na semifinal na casa do rival, em Montes Claros (MG).

"Começamos a perceber que a gente não tem controle, como confederação, do que vai fazer o governo, muito menos os clubes. A gente era surpreendido", diz Renato D'Avila, superintendente de competições de quadra da CBV. Para a semi e a final, os clubes aceitaram que a bolha no CT de Saquarema era a "única saída".

Inicialmente, foram para lá as quatro equipes classificadas para a semifinal feminina. Osasco e Sesi/Vôlei Bauru foram eliminadas e voltaram para casa. Dentil/Praia Clube e Itambé/Minas seguem no CT por, pelo menos, mais uma semana. Os jogos da final estão marcados para quinta (1), sábado (3) e, se precisar, segunda (5). Na semana que vem chegam os homens. E também a seleção feminina.

"A gente tem bastante infraestrutura, mas não é ilimitada. Tivemos que negociar com treinadores de seleção, dois dias para lá, dois dias para cá, no sentido de fazer caber os playoffs semifinais. Cada equipe vem com 22 pessoas, mais árbitros, estafe...", explica D'Ávila, que também está recluso no CT. De lá, só entram e saem os funcionários de jardim, cozinha, limpeza etc, que também precisam cumprir protocolos e são testados semanalmente.

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Por causa desses protocolos, de não envolver pessoas externas à competição, e pela boa relação com a prefeitura local, o vôlei não teme ser impedido de continuar jogando em Saquarema, apesar da movimentação da prefeitura para impedir jogos de futebol depois de uma aglomeração no hotel do Flamengo.

Jogos em Brasília

Diferentemente da Superliga, que manteve o formato tradicional na fase de classificação, o NBB planejou mini sedes, no Rio, em Brasília, Mogi das Cruzes e ginásios variados de São Paulo. Um grupo de times se reúne nessas cidades e faz diversos confrontos em curto intervalo de tempo.

O torneio, que parou no último dia 18 para o Jogos das Estrelas, será retomado a partir de amanhã (1) com todos os jogos programados para Brasília. Até o dia 13, serão disputados até três confrontos por dia no ginásio da ACEB. Serão, no total, 30 partidas, envolvendo todas as 16 equipes da competição, incluindo duas da capital federal. "A decisão pela mini sede vem para minimizar risco. Zerar ninguém zera", admite Paulo Bassul, diretor técnico operacional da LNB.

"Não importa o número de equipes numa cidade, mas que não convivam no mesmo lugar. Essas 14 equipes ocuparão quatro hotéis distintos. A gente tem máximo de equipes em hotel. Nunca mais que três no mesmo hotel", explica. Todos os jogadores são testados antes de viajar e, depois, praticamente um jogo sim, um jogo não.

São Paulo, Franca, Flamengo e Minas farão suas partidas antes porque, entre 10 e 13 de abril, disputam a fase final da Champions America, a Libertadores do basquete. Oito times vão se reunir em uma mesma sede, ainda não anunciada, e jogar quartas de final, semifinal e final da competição continental em quatro dias. Depois, os quatro times brasileiros retornam ao país para os playoffs do NBB, em formato que ainda está sendo discutido com os clubes. O regulamento prevê ida e volta, mas, provavelmente, haverá mudança.

Outras soluções

A Liga de Basquete Feminino (LBF) não tem pressa para realizar seus jogos. A competição estava programada para acontecer de março a agosto e seu calendário já previa um mês de paralisação para a disputa do Sul-Americano e da AmeriCup, eventos que não vão mais ser realizados. Os clubes estão se reunindo duas vezes por semana e, até segunda ordem, vão continuar jogando onde e quando for possível. Hoje (31), por exemplo, tem Blumenau x Vera Cruz, em Santa Catarina.

"A gente vai aguardar São Paulo: se continua na fase emergencial, se vai ter retrocesso para a vermelha... ver onde é possível jogar. Por enquanto, a gente joga onde dá e quando dá", explica Fernando Maroni, superintendente da LBF.

Como em Santa Catarina os jogos estão permitidos, será lá, em Brusque, que a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) irá realizar tanto as últimas rodadas da fase de classificação do Campeonato Brasileiro, segunda divisão masculina, de 21 a 30 de abril, quanto o Final Four do torneio, a partir de 15 de maio.

"A gente não tem bolha, a gente tem sede. Os atletas são testados antes de cada fase. É 100% garantido? Não é. O mais importante é que o atleta faz exame 48 horas antes e se ele foi infectado tem período para a doença se manifestar. Garante que não vai transmitir? Não. A gente não consegue ter esse controle", admite Alex Oliveira, coordenador técnico da CBB.