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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Paes destrava mais um legado olímpico e doa piscina para Maricá

Visão de arquibancada do Estádio Aquático Rio-2016 - UOL
Visão de arquibancada do Estádio Aquático Rio-2016 Imagem: UOL
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

30/03/2021 04h00

A prefeitura do Rio de Janeiro acertou a doação da principal piscina olímpica da Rio 2016 para a cidade de Maricá, que fica a cerca de 60 km do centro do Rio. Do total de cinco piscinas compradas para os Jogos, essa é a quarta que recebe destinação. Uma ainda continua empacotada, sem uso.

A informação da doação para Maricá, cidade com a qual o prefeito Eduardo Paes (DEM) tem uma relação controversa —ele chamou a cidade de "uma merda de lugar" em uma ligação vazada para o ex-presidente Lula—, foi publicada inicialmente pela coluna do Ancelmo Gois, no jornal O Globo, e confirmada pelo Olhar Olímpico com a prefeitura do Rio.

A administração Paes, porém, não respondeu quem vai arcar com os custos de transporte e remontagem da piscina, esse é o motivo que vinha travando, há anos, sua destinação. De acordo com a prefeitura, os detalhes da doação ainda serão finalizados pela Secretaria Municipal de Esportes. São necessários cerca de sete contêineres para transportar o equipamento, e a montagem depende de um serviço altamente especializado.

Das cinco piscinas da marca italiana Myrtha compradas para a Olimpíada, três pertenciam à Aeronáutica, compradas com dinheiro do Ministério do Esporte. As duas do Parque dos Atletas foram repassadas, ainda no governo Michel Temer (MDB), para o governo do Amazonas, que as montou em uma Vila Olímpica em Manaus, e à prefeitura de Salvador, que ergueu um centro aquático onde ficava o Clube Português. A terceira piscina federal, usada para aquecimento no Maria Lenk, acabou instalada em uma base da Aeronáutica em Guaratinguetá, em São Paulo.

As piscinas compradas pelo município do Rio, que foram usadas no Estádio Aquático, deveriam ter sido instaladas depois no Parque Madureira e em um novo centro esportivo no bairro de Campo Grande, respectivamente nas zonas norte e oeste do Rio. Mas o plano foi abortado pelo prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). Em 2017, o então governante chegou a doar uma destas piscinas para o Centro de Capacitação Física do Exército, na Urca, que depois a devolveu.

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De volta à prefeitura quatro anos depois, Paes encontrou o legado olímpico praticamente como deixou. A diferença são os quatro anos de deterioração. As duas piscinas do Estádio Aquático estão guardadas na Arena do Futuro, ginásio onde foram disputados os jogos de handebol, que deveria ter sido desmontado em 2017, mas permanece no Parque Olímpico, e no Centro Olímpico de Golfe.