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Técnico é encontrado morto horas após ser acusado por crimes sexuais

John Geddert, ex-técnico da seleção de ginástica dos Estados Unidos - AFP PHOTO / THOMAS COEX
John Geddert, ex-técnico da seleção de ginástica dos Estados Unidos Imagem: AFP PHOTO / THOMAS COEX
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

25/02/2021 18h47

John Geddert, ex-técnico da seleção norte-americana de ginástica, foi encontrado morto nesta quinta-feira (25) poucas horas depois de ser denunciado criminalmente por crimes sexuais. Ele tinha 63 anos e estava aposentado desde o início das investigações. De acordo com um porta-voz da procuradora-geral de Michigan, Dana Nessel, a causa da morte foi suicídio por arma de fogo. "Este é um final trágico para uma história trágica para todos os envolvidos", disse ela em nota à imprensa.

Treinador da equipe de ginástica feminina dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, ele recebeu hoje 14 acusações por "tráfico de pessoas e trabalho forçado", outras seis por "tráfico humano de menores de idade para trabalho forçado", uma acusação de atividade criminosa contínua e outra por mentir para um oficial de Justiça. Mas as mais graves entre 20 acusações são duas de conduta sexual criminosa, de primeiro e segundo graus.

Nessas duas últimas, Geddert foi acusado de "penetração sexual" de uma garota menor de 16 anos em janeiro de 2012. "John Geddert usou a força, a fraude e a coerção contra as jovens atletas que o procuraram para treinar ginástica", disse a procuradora-geral de Michigan em entrevista coletiva antes que o corpo do técnico fosse encontrado.

"Essas alegações se concentram em vários atos de abuso verbal, físico e sexual perpetrados pelo réu contra várias mulheres jovens. Sou grata por essas sobreviventes se apresentarem para cooperar com nossa investigação e por corajosamente compartilharem suas histórias ", disse Nessel na entrevista. O treinador era considerado extremamente rígido, entrando no que a procuradoria-geral de Michigan entendeu ser um crime de trabalho forçado.

Geddert havia concordado em se entregar em uma delegacia ainda hoje, mas nunca apareceu. A polícia, então, foi até ele e o encontrou morto em Grand Ledge, Michigan. O treinador dirigiu e foi dono do clube de ginástica Twistars por muitos anos e treinou a equipe de ginástica dos EUA até a medalha de ouro em 2012.

As acusações formais contra ele estão ligadas à amplamente conhecida denúncia contra o ex-médico da seleção norte-americana Larry Nassar, acusado de abusar sexualmente de centenas de mulheres. Nassar confessou o abuso de 10 ginastas menores de idade, foi condenado a 175 anos de prisão e deverá ficar atrás das grades o resto da vida.

Geddert e Nassar trabalharam muitos anos juntos em Michigan, onde funcionava uma espécie de quartel da equipe norte-americana de ginástica artística. Os investigadores acreditavam que o treinador tinha conhecimento dos crimes cometidos pelo médico, o que foi reforçado pelo depoimento de McKayla Maroney, relatando ter comunicado um episódio de assédio ao treinador em 2011.

"O senhor Geddert sabia que Nassar estava abusando sexualmente desses pacientes e que ele falhou em agir", disse a procuradora-geral assistente Danielle Hagaman-Clark. "E quando foi questionado sobre isso por policiais durante a investigação, ele mentiu."