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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Brasileiros em preparação para a Olimpíada são barrados no exterior

Henrique Avancini - Fabio Piva/Red Bull Content Pool
Henrique Avancini Imagem: Fabio Piva/Red Bull Content Pool
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

22/02/2021 15h19

O temor de que a variante brasileira do coronavírus se espalhe tem prejudicado a preparação de atletas brasileiros para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Além da Colômbia, que proibiu a entrada da seleção brasileira de basquete que disputaria as Eliminatórias da AmeriCup no país, também a Espanha está restringindo a entrada de atletas do Time Brasil.

Número 1 do ranking mundial do mountain bike, Henrique Avancini pretendia abrir a temporada disputando uma competição na Catalunha, a Copa Catalã, que ele venceu no ano passado. Mas não conseguiu viajar para a Espanha. "Eu teria uma grande prova na Espanha, mas eu simplesmente não vou poder participar. Na sequência teria o Campeonato Pan-Americano em Porto Rico, mas que também tem restrições para brasileiros. É uma situação bem chata de lidar em uma temporada importante, mas é uma situação que atletas brasileiros vão ter que enfrentar no momento", diz o ciclista.

"Meu calendário encontra-se em uma situação bastante complicada. A grande maioria dos países da Europa tem fronteiras fechadas e a lista de exceções está ainda mais restrita do ano passado. Ano passado até teria umas possibilidades de fazer quarentena em um país e depois entrar em outro, mas atualmente isso está mais embaraçado", explica Avancini.

Durante o ano passado, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) usou um centro de treinamento em Portugal como uma base avançada do país na Europa, e porta de entrada de atletas brasileiros no Velho Continente, graças a uma autorização especial dada pelo governo português, negociada pelo comitê olímpico local. Mas os voos entre Brasil e Portugal estão suspensos desde 27 de janeiro, o que pode prejudicar os planos da equipe de vela, que tem planos de treinar lá nas próximas semanas.

A Espanha também proibiu voos vindos do Brasil no início de fevereiro, em medida que valeu até hoje. Agora, pessoas vindas do Brasil (e também da África do Sul) até podem entrar no país, mas precisam obrigatoriamente ficar isolados por no mínimo sete dias, o que inviabiliza treinamentos esportivos.

Por causa dessas restrições, a brasileira Fernanda Borges Martins, que foi sexta colocada no Mundial de Atletismo de 2019 no lançamento do disco, não conseguiu viajar para treinar com seu técnico José Luís Martínez. "Só não fui ainda para a Espanha por causa das dificuldades atuais de viajar. Estou ansiosa para começar o trabalho pessoalmente", disse ela, em texto publicado pela confederação de atletismo.

A seleção feminina de rúgbi sevens, já classificada para a Olimpíada, teve que cancelar uma viagem à Espanha, que aconteceria no final deste mês, para disputar um torneio preparatório em Madri. "Com a pandemia e as restrições sanitárias da Espanha, não foi possível que as Yaras viajassem para a disputa dos jogos contra outras seleções mundiais", lamentou a CBRu.

Planos revistos

A seleção masculina de polo aquático até conseguiu jogar o Pré-Olímpico na Holanda, na semana passada, mas fez uma preparação bem diferente da planejada. O previsto era o time ir para a Alemanha, treinar lá com a seleção local, e depois seguir para Roterdã. Mas a equipe foi barrada no aeroporto do Rio, impedida de seguir para a Europa (faria escala em Portugal), e teve que ficar treinando no Rio de Janeiro mesmo. Sem intercâmbio com outra equipe, perdeu todos os jogos do Pré-Olímpico.

Daniel Chaves, já classificado para a Olimpíada na maratona, pretendia fazer um camping de treinamento na Colômbia. Mas o país sul-americano também está impedindo a entrada de brasileiros. "Normalmente nós fazemos treinos em altitude na Colômbia, mas agora o país não aceita voos do Brasil para lá por causa da novo variante da doença e escolhi o México", contou o corredor, que vai fazer um camping de altitude em Mascota, na região de Guadalajara, no México, a partir desta semana.

Uma equipe de patinação velocidade que participaria de uma seletiva para a primeira edição dos Jogos Pan-Americanos Junior, em Cali (tanto a seletiva quanto o Pan), também não conseguiu viajar para a Colômbia recentemente.

As dificuldades vão além. Não só brasileiros têm tido dificuldade de competir fora, como não conseguem receber visitas. A Noruega abriu mão de ser sede de um dos grupos do Pré-Olímpico Masculino de Handebol e o Brasil optou por nem tentar ficar com a competição. Entre outros motivos, porque os outros países dificilmente aceitariam viajar para cá. O torneio, com Noruega, Brasil, Chile e Coreia do Sul, de 12 a 14 de março, deverá acontecer no Chile.

Algumas equipes, porém, têm conseguido viajar. A seleção de judô disputou o Grand Slam de Tel Aviv no fim de semana, em Israel. A de boxe está na Bulgária, enquanto alguns dos principais nomes do taekwondo do Brasil estão na Sérvia.