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Handebol marca assembleia para Manaus e presidente alerta: 'Não venham'

Homens das Forças Armadas carregam avião com cilindros de oxigênio seguirão para Manaus - Divulgação/Forças Armadas
Homens das Forças Armadas carregam avião com cilindros de oxigênio seguirão para Manaus Imagem: Divulgação/Forças Armadas
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/01/2021 04h00

Enquanto Manaus já vivia uma explosão de novos casos de Covid, na véspera do natal, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) alterou o local da assembleia que vai escolher o próximo presidente da entidade. O evento, marcado para 1º de fevereiro, saiu de Recife e vai acontecer em Manaus. A decisão foi tomada depois que um manauara assumiu a presidência da CBHb.

Até então prevista para acontecer presencialmente no Santa Cruz, clube ao qual é ligado o candidato Felipe Rego Barros, a assembleia foi alterada para o Rio Negro, clube do qual o agora presidente da CBHb, Jefferson Oliveira, é presidente licenciado. O edital publicado em 24 de dezembro prevê uma assembleia "de forma híbrida". "Ou seja, acontecerá, simultaneamente, nas modalidades presencial e virtual, garantindo, em ambos os casos, o direito de voz e voto ao membro do Colégio Eleitoral". Mas a confederação segue disposta a acolher eleitores e candidatos no Amazonas.

Jefferson Oliveira está vivendo de perto o caos que se tornou a saúde de Manaus. Seu irmão, que já ficou entre a vida e a morte na UTI, em abril, é intensivista e está na linha de frente do combate à doença. Anteontem, a família viveu uma correria para alugar um tubo de oxigênio e manter viva a sogra de um dos filhos. Ele mesmo já pegou Covid, assim como a esposa, que é idosa, e o filho, que também está no grupo de risco, por ter Síndrome de Down. "Todo dia são dois ou três amigos que morrem", lamenta o presidente licenciado do Rio Negro, que perdeu seu maior ídolo, Clóvis Aranha Negra, para a Covid.

Ainda assim, ele diz que não tem como alterar mais uma vez a sede do evento, nem como transformar a assembleia em 100% virtual. "Eu não tenho como mudar de local hoje, e nenhum estado do Brasil é seguro também. Perguntamos aos presidentes de federação e aos atletas quais pretendem vir e eles têm até o dia 15 (hoje) para responder. Aí vamos ver o que vamos fazer", diz o presidente da confederação.

Oliveira afirma que falou por telefone com alguns colegas dirigentes e que a maioria não parece disposta a viajar, mas que qualquer decisão só será tomada a partir do final de semana. Se as autoridades locais autorizarem, ele não pretende cancelar a parte presencial da assembleia. "Estou esperando as decisões governamentais. Até agora não tomei uma decisão sobre isso", ele explica.

Pergunto se, caso algum amigo pedisse um conselho de quem está no olho do furacão, se ele recomendaria planejar uma viagem para Manaus daqui a duas semanas. "Não planeje. É a minha opinião pessoal. Não planeje viagem nenhuma para lugar nenhum", ele afirma. O dirigente diz que tomou todos os cuidados possíveis para não se contaminar, pensando na esposa e no filho, mas que acabou pegando a doença depois de participar de um evento de aniversário do centenário Rio Negro, clube do qual é presidente em primeiro mandato.

Ele diz que assumir a presidência da CBHb foi um ato em amor ao esporte. O presidente eleito, Manoel Luiz Oliveira, foi afastado pela Justiça devido a uma série de irregularidades em sua gestão. O primeiro vice, Ricardo Souza, foi suspenso pelo COB por assédio sexual e moral, mas conseguiu se manter no cargo com uma liminar na Justiça. Só saiu quando o COB decidiu que não repassaria recursos à confederação enquanto Ricardinho não fosse afastado. O alagoano só desistiu do cabo de força quando viu que a seleção masculina ficaria fora do Mundial — a estreia da equipe na competição, aliás, é hoje.

Até então, Jefferson Oliveira, o segundo vice, vinha avisando que não tinha a menor intenção de assumir essa bucha de canhão, uma vez que precisaria deixar o cargo de presidente do Rio Negro. Só topou, em dezembro, para não deixar a confederação acéfala, e com a condição que seu mandato não se estenderá para além de 2 de fevereiro, dia da assembleia que ele levou para Manaus alegando que ele ali ele teria uma base, o que não aconteceria em Recife.

A eleição deverá ter dois candidatos. Edgar Hubner, que trabalhou no COB durante os últimos 11 anos da era Nuzman e era um dos dirigentes com supersalário no comitê, é o candidato do grupo mais próximo a Manoel Oliveira. Ele terá como adversário Felipe Rego Barros, que foi vice-presidente de futebol do Santa Cruz e hoje é diretor do Clube Português do Recife, um dos principais clubes do handebol brasileiro. Felipe tem apoio do grupo próximo ao técnico da seleção masculina, Marcus 'Tatá', o que incluiu a comissão de atletas (o jogador Cebola será seu vice) e os principais clubes.