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Associação mundial de arquitetos pede a Doria para preservar Ibirapuera

Complexo Esportivo do Ibirapuera - Gabriel Cabral/Folhapress
Complexo Esportivo do Ibirapuera Imagem: Gabriel Cabral/Folhapress
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/01/2021 11h54

A entidade representativa dos arquitetos do mundo inteiro enviou um ofício ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pedindo que o Complexo Esportivo do Ibirapuera seja preservado. O governo paulista pretende conceder o equipamento à iniciativa privada sem exigir a preservação arquitetônica do local. Pelo contrário: o modelo referencial prevê que só a estrutura do ginásio principal seja mantida, mas transformada em shopping center. O restante dos prédios, incluindo estádio e conjunto aquático, seria demolido.

"O Ginásio do Ibirapuera e o Complexo Constâncio Vaz Guimarães são notáveis conquistas arquitetônicas e urbanas do Movimento Modernista do século XX. Além de representarem os esforços do governo para criar espaços públicos de alta qualidade abertos ao público em geral, essas obras arquitetônicas contribuem para a compreensão histórica do lazer e arquitetura esportiva no Brasil, especialmente nesta metrópole em constante expansão", explica Thomas Vonier na carta enviada a Doria, com cópia a diversas outras pessoas, incluindo o prefeito Bruno Covas (PSDB).

"Qualquer alteração do Ginásio do Ibirapuera e do Complexo Constâncio Vaz Guimarães significaria, assim, uma grande perda cultural, tanto para São Paulo quanto para a comunidade mundial de arquitetura. Portanto, recomendamos que considere a preservação do Ginásio do Ibirapuera e do Constâncio Complexo Vaz Guimarães. O Brasil está há muito tempo na vanguarda da arquitetura moderna e esta é uma excelente oportunidade para mais uma vez dar o exemplo neste campo", continuou Vonier. Antes, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) também havia pedido a preservação.

Em novembro, o órgão estadual de preservação do patrimônio histórico e cultural de São Paulo, o Condephaat, rejeitou sequer estudar o tombamento do Ibirapuera. A discussão aconteceu depois de Doria alterar a composição do órgão, reduzindo o número de cadeiras das universidades, que até então eram maioria, e tornando majoritária a presença de pessoas do governo estadual. Todos os indicados pelo governo votaram contra a possibilidade de estudar o tombamento. Os especialistas das universidades foram a favor.

Agora o assunto deve entrar na pauta do Conpresp, o órgão municipal de preservação, que se reúne pela primeira vez no ano na próxima segunda-feira, dia 18. Um pedido de tombamento do conjunto esportivo tramita na área técnica do Conpresp e existe a possibilidade de o assunto ser discutido pelo colegiado já na semana que vem, ainda que ele não conste nominalmente na pauta já divulgada. A associação de moradores da região teme que o tema seja pautado de surpresa no item "assuntos gerais" da pauta.

O não tombamento do Complexo Esportivo do Ibirapuera causou surpresa e revolta entre arquitetos brasileiros, que viam como algo óbvio que o local projetado pelo arquiteto e atleta olímpico Ícaro de Castro Mello deveria ser preservado, sendo o tombamento por um órgão de preservação apenas uma etapa burocrática.

O eventual tombamento enterraria os planos de Doria para o Ibirapuera. O governador quer que seja construída ali uma arena multiuso, que é a premissa do processo de concessão à iniciativa privada, e o tombamento impediria isso. Por enquanto o processo de concessão está suspenso pela Justiça.