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Prefeitura de Mogi exonera secretário de Esporte que defendia ditadura

Reinaldo Barreiros, novo diretor do Centro Olímpico, foi acusado de rachadinha na ALESP - Reprodução/Facebook
Reinaldo Barreiros, novo diretor do Centro Olímpico, foi acusado de rachadinha na ALESP Imagem: Reprodução/Facebook
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/01/2021 13h14

Durou uma semana a passagem de Reinaldo Barreiros como titular da secretaria de Esporte da prefeitura de Mogi das Cruzes. O político, envolvido no sumiço de uma denúncia de rachadinha na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), foi exonerado depois de serem expostas publicações dele defendendo a ditadura militar.

Barreiros chegou a comandar o Centro Olímpico de São Paulo em meados do ano passado, apesar de o nome dele ter sido citado em um escândalo de funcionários fantasmas na Alesp. Quando a reportagem do blog questionou a prefeitura paulistana sobre esse episódio, a mesma enviou ao Olhar Olímpico um documento em que um funcionário da corregedoria inocentava Barreiros de uma denúncia de rachadinha.

Acontece que essa denúncia de que diversos funcionários praticavam a rachadinha (devolvendo salários para os deputados responsáveis por suas nomeações) nunca foi investigada pela corregedoria. Como mostrou o Olhar Olímpico, Barreiros era próximo do funcionário que assinou o atestado que ele passou a usar para se defender. O caso agora é investigado pelo Ministério Público. Ele foi exonerado por Bruno Covas (PSDB).

Na semana passada, o político foi nomeado secretário adjunto de esporte em Mogi das Cruzes, onde atuou como técnico de handebol. E logo vieram à tona postagens dele, antigas e recente, que causaram revolta. Em uma, ao lado de um jornal do dia seguinte do golpe militar de 1964, escreveu: "Saudade daquilo que a gente não viveu". Em outra postagem, disse que votou em Bolsonaro para "ver o pau quebrar". Após a repercussão, ele trancou suas páginas nas redes sociais.

Na segunda, o prefeito Caio Cunha (Podemos) comentou: "Repugnante, infantil, desnecessário, irresponsável, imaturo, desagregador e constrangedor... essa é minha opinião sobre as publicações feitas por Reinaldo Barreiros, secretário-adjunto de esportes. Tais publicações vão contra aquilo que defendo como uma política madura e inclusiva. Sou contra qualquer tipo de extremismo e tudo que afaste a possibilidade do diálogo".

Mesmo assim, manteve Barreiros no cargo, alegando que o secretário "reconheceu o erro e demonstrou esforço no amadurecimento de seu posicionamento". "Já sobre denúncias de 'rachadinha' e outros casos com a justiça, embora sua Certidão Negativa não aponte condenações, nossa equipe está analisando com profundidade para uma tomada de decisão com justiça e verdade", escreveu na tarde de segunda. Na noite de terça, Reinaldo foi exonerado. Segundo a prefeitura, a pedido.

Errata: o texto foi atualizado
Diferente do que foi informado, quem foi exonerado foi Reinaldo Barreiros, e não o prefeito Caio Cunha. O erro foi corrigido.