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Judô brasileiro fracassa no primeiro teste do ano para a Olimpíada

Seleção brasileira de judô que disputou o Masters - Reprodução
Seleção brasileira de judô que disputou o Masters Imagem: Reprodução
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/01/2021 11h58

O Masters de Judô é, historicamente, considerado uma mini Olimpíada. Só participam dele os melhores do ranking mundial, tornando o torneio uma sequência de lutas duríssima. A edição 2021 do Masters terminou hoje em Doha (Qatar), com a seleção brasileira fracassando. De 17 brasileiros que lutaram, 14 perderam logo na estreia. Os melhores foram David Moura e Bia Souza, que terminaram em sétimo.

O resultado aumenta as preocupações com o que poderá fazer em Tóquio a modalidade que se orgulha de ser o "carro chefe" do esporte brasileiro nos Jogos Olímpicos. No primeiro teste da temporada, mesmo depois de um camping de treinamento no interior de São Paulo e dois meses e meio fugindo da pandemia para treinar em Portugal no ano passado, os resultados passaram longe da tradição do país.

A seleção lutou desfalcada apenas de Mayra Aguiar, que operou o joelho e deve voltar a competir em abril. Rafaela Silva, outra atleta que é sempre candidata a medalha em torneios assim, está suspensa por doping. De resto, o Brasil levou a Doha o que tem de melhor.

Campanhas de algum destaque, só de David Moura, que venceu duas lutas na categoria +100kg, e terminou em sétimo depois de perder outras duas, e de Bia Souza, que fez campanha idêntica no +78kg. Maria Suelen Altheman e Rafael Silva, que estão ligeiramente na frente dos rivais locais na corrida olímpica, perderam na estreia.

"Reconhecemos que os resultados e o desempenho nessa competição foram aquém do que esses atletas podem entregar. É um momento de reflexão para todos nós, de identificar as dificuldades e atacá-las. Teremos uma sequência de competições muito duras esse ano e 190 dias de muito trabalho até Tóquio. Já vivemos situações piores. Não será fácil, mas tenho confiança de que conseguiremos mudar esse jogo", avaliou Ney Wilson Pereira, gestor de Alto Rendimento da CBJ.

Também perderam na estreia Eric Takabatake, Felipe Kitadai, Phelipe Pelim (todos da categoria até 60kg), Willian Lima (66kg), Eduardo Barbosa (73kg), Eduardo Yudy (81kg), Rafael Macedo (90kg), Leonardo Gonçalves (100kg), Rafael Buzacarini (100kg), Larissa Pimenta (52kg), Ketleyn Quadros (57kg), Alexia Castilhos (63kg) e Maria Portela (70kg). Daniel Cargnin (66kg), sexto do mundo, caiu na segunda rodada. Como comparação, em 2018 foram três medalhas e mais três quintos lugares. Em 2017, cinco medalhas. Em 2013, seis.

O Masters distribuiu 1.800 pontos para o campeão e vale como pontuação extra na corrida olímpica. A expectativa é que a temporada ainda tenha o Grand Slam de Tel Aviv (1.000 pontos), Grand Slam de Paris (1.000 pontos), Campeonato Pan-Americano (700 pontos) e o Campeonato Mundial de Budapeste (2.000 pontos).