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Olhar Olímpico

Cheio de incertezas, calendário de 2021 prioriza seletivas olímpicas

Centro Aquático dos Jogos Olímpicos de Tóquio - Divulgação
Centro Aquático dos Jogos Olímpicos de Tóquio Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

05/01/2021 04h00

Desde setembro, Ágatha/Duda e Ana Patrícia/Rebecca, as duas melhores duplas do vôlei de praia brasileiro, já se enfrentaram quatro vezes. Todas em Saquarema. Os dois times que vão representar o Brasil em Tóquio podem se encontrar de novo na bolha montada no CT da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) daqui a duas semanas, em mais uma etapa do circuito brasileiro, no mesmo local. Não há no radar qualquer outro confronto previsto com qualquer grande dupla internacional, exceto a Olimpíada, que começa daqui a 199 dias.

Assim como no vôlei de praia, que não tem calendário internacional confirmado para 2021, boa parte das modalidades olímpicas tende a passar a maior parte do ano com torneios nacionais ou no máximo regionais. É esse o cenário do momento que, como estamos acostumados a lidar já nove meses, pode mudar a qualquer momento.

No tênis de mesa, por exemplo, o Mundial por Equipes, que deveria ter acontecido no ano passado e foi adiado para 2021, acabou definitivamente cancelado. Há uma etapa de circuito mundial marcada para março em Doha, e por enquanto é só. Os principais jogadores do país, como Hugo Calderano, jogam por clubes europeus, onde as competições interclubes estão ocorrendo com alguma normalidade. Logicamente, sem público, e com algumas partidas anuladas ou canceladas por casos de Covid.

No judô, o calendário também prevê apenas um torneio em Doha — o importantíssimo Masters, já a partir do próximo dia 11 — e, depois, só a Olimpíada. Em se melhorando a situação da pandemia, a tendência é que outros torneios sejam incluídos, uma vez que a corrida olímpica segue aberta, mas ninguém parece querer se comprometer, marcando eventos que depois possam precisar vir a ser cancelados.

A Fina, federação que cuida dos esportes aquáticos, demonstra mais otimismo e montou um calendário para o primeiro semestre que em quase nada se difere do tradicional, com etapas de circuito mundial de nado artístico, saltos ornamentais e maratonas aquáticas. O fundamental, porém, é conseguir realizar os Pré-Olímpicos dessas três modalidades, todos programados para o Japão, funcionando como evento-teste.

O de nado artístico deve ser o primeiro, na primeira semana de março, seguido pelo de saltos ornamentais, em abril, e de maratonas aquáticas, em maio. Isso se o Japão estiver com as fronteiras abertas e permitindo esse tipo de evento. Ontem (3) foi a segunda-feira com mais casos de Covid confirmados em Tóquio desde o início da pandemia, 884, e a tendência é de aumento das restrições. Se os eventos fossem hoje, os atletas estariam impedidos de entrar no país.

Antes, já entre 19 e 24 de janeiro, a Pré-Olímpico Feminino de Polo Aquático vai acontecer na Itália, seguido do torneio masculino, de 14 a 21 de fevereiro, na Holanda, com a presença do Brasil. No ano passado, essa competição foi adiada na véspera, quando a seleção já estava na Europa.

O país também disputa o controverso Campeonato Mundial Masculino de Handebol, que deve começar no próximo dia 15 de janeiro, no Egito. O time só se reuniu pela primeira vez em quase um ano no último dia 27 de dezembro, em Portugal, e vai treinar menos de 20 dias.

A preparação nem passou pela Europa, com os jogadores se reunindo em Rio Maior, em Portugal, base da Missão Europa, do COB. O comitê havia firmado um contrato de locação do espaço para o ano de 2020 e estendeu mais alguns dias o acordo. Agora, a tendência é uma variação deste modelo em 2021, com Rio Maior se tornando um posto avançado do COB na Europa. As seleções viajariam para Lisboa, passariam alguns dias nesse CT, e de lá seguiriam para os locais de competição. O próprio handebol pode fazer isso em março, quando joga o Pré-Olímpico na Noruega.

A seleção masculina joga o Pré-Olímpico em Split (Croácia), entre 29 de junho e 4 de julho, enquanto o torneio classificatório de 3x3 será no final de maio, na Áustria. No atletismo estão previstas sete etapas da Diamond League até a Olimpíada, mas ninguém sabe ao certo quantas serão realizadas. Um enorme problema é o calendário internacional de maratonas, bastante enxuto. As de primeiro escalão foram todas adiadas para o segundo semestre e, das de segundo, só sobraram as de Istambul e de Hamburgo, ambas em abril.

A ginástica aposta que o calendário tradicional será cumprido. A começar pela tradicional etapa de Cottbus (Alemanha) da Copa do Mundo de Ginástica Artística. Até agosto estão programadas um total de 19 etapas de circuito mundial também na ginástica rítmica e na de trampolim.

Além dos Jogos Olímpicos, entre 23 de julho e 8 de agosto, o calendário de 2021 também prevê, claro, a Paraolimpíada, de 24 de agosto a 5 de setembro, a Universíade, de 18 a 29 de agosto, em Chengdu (China), e a primeira edição dos Jogos Pan-Americanos Junior, de 9 a 19 de setembro, em Cali, na Colômbia.