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Sesi decide focar na base e limita atletas profissionais a até 8 por time

Jogadoras do Sesi/Vôlei Bauru - Divulgação
Jogadoras do Sesi/Vôlei Bauru Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/12/2020 04h00

Principal clube formador do país quando se analisa o esporte olímpico como um todo, o Sesi-SP decidiu que não vai dar um passo a mais para ser potência no profissional. O Serviço Social da Indústria vai manter o investimento de mais de R$ 30 milhões por ano no esporte de rendimento, mas irá reduzir, a partir do ano que vem, o número de atletas contratados. Os times de basquete masculino (em Franca) e de vôlei feminino (em Bauru), por exemplo, passarão a ter no máximo oito jogadores cada com mais de 20 anos. Os demais atletas do elenco precisarão, obrigatoriamente, vir da base.

Com mais de uma centena de escolas bem equipadas com quadras, piscinas e ginásios espalhadas pelo estado, o Sesi criou, nos últimos anos, uma rede de detecção de talentos e formação de atletas em diversas modalidades. Os jovens fazem a iniciação na escola, são encaminhados para as equipes regionais e os melhores chegam aos polos de cada esporte - vôlei feminino e judô em Bauru, natação em São Bernardo do Campo, basquete masculino em Franca, feminino em Araraquara, etc.

Só com os atletas formados assim, o Sesi se sagrou campeão brasileiro sub-23 no atletismo agora em dezembro, revelando, entre outros, Felipe Bardi, líder do ranking sul-americano dos 100m. A expectativa é que, quando essa garotada, em diversas modalidades, chegassem ao adulto, o Sesi se tornasse potência. Mas não é isso que vai acontecer.

Até 2028, o Sesi terá apenas cinco atletas com mais de 20 anos no judô, cinco no atletismo, cinco no triatlo, seis na natação, dois na luta olímpica e talvez dois no caratê (a modalidade deixou de ser olímpica e pode ser limada no programa). O garoto da base que chegar aos 20 anos só irá permanecer se a equipe tiver uma vaga, aberta pela saída de alguém mais velho. A meta é que cada equipe tenha dois atletas em Jogos Pan-Americanos, Mundiais ou Olimpíada.

A regra dos 20 anos está relacionada à Lei Pelé, que entende que esse é o limite para a formação de atletas no Brasil. Até os 20 anos o atleta está em formação e pode receber bolsa. A partir dos 21, ele se torna profissional e o Sesi o registra em carteira de trabalho, o que aumenta expressivamente o custo trabalhista.

Pelo planejamento esportivo apresentado pelo Sesi, o polo aquático feminino e o hóquei sobre a grama masculino deixam de ser modalidades com equipes profissionais. Incluindo também o polo masculino, 12 vagas de trabalho foram encerradas. No hóquei, polo feminino, tênis de mesa, rúgbi, handebol, badminton e ginástica artística, o Sesi será apenas um clube formador.

O Sesi vai continuar com equipes nas principais ligas do país, mas exigindo espaço para os jovens formados nas suas categorias de base. Os times de vôlei e basquete, masculino e feminino, e de polo aquático masculino, terão no máximo oito jogadores com mais de 20 anos. Obrigatoriamente, a partir da próxima temporada, metade dos times terá que ser composta por atletas formados no Seis, percentual que sobe para 80% nos times sem outro patrocinador master (hoje, vôlei feminino, em Bauru, e basquete masculino, em Franca).