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Olhar Olímpico

Giba não vê os filhos há 11 meses e diz que paga 70% das despesas

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

22/12/2020 04h00

O ex-jogador de vôlei Giba, que no último domingo (20) teve a prisão domiciliar decretada pelo não pagamento do valor completo da pensão alimentícia relativa aos dois filhos que teve com a também ex-jogadora Cristina Pirv, não vê as crianças, que moram na Romênia, há 11 meses.

Giba e Pirv se separaram em 2012. A guarda das duas crianças ficou com ela, que nasceu na Romênia, mas criava os filhos em Curitiba, onde o casal fixou residência. Em 2018, depois que a Justiça determinou a prisão de Giba — ele não chegou a ser detido — também pelo não-pagamento de pensão, Pirv decidiu que era hora de voltar à Romênia, onde tinha uma rede de apoio familiar e oportunidades de trabalho. Com isso, levou com ela as crianças.

Hoje, as crianças estudam em um colégio bilíngue em Bucareste, que, de acordo com a mãe, custa 1,2 mil euros (R$ 7,5 mil) por mês. Nos cálculos apresentados por ela à Justiça, somente os gastos fixos com as duas crianças atingem cerca de R$ 12 mil. Giba, que recebe 5 mil francos suíços (R$ 28 mil) para ser embaixador da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), diz que todo mês deposita entre R$ 6,5 mil e R$ 6,6 mil, ainda que o valor da pensão estipulado pela Justiça seja de R$ 15 mil. No total, a dívida está em torno de R$ 300 mil.

A briga pela pensão

Advogado e tio de Giba, José Silvério Santa Maria defende que Giba e Pirv devem dividir igualmente os custos de criação dos filhos menores de idade. Nas contas do ex-jogador, os gastos mensais das crianças seriam em torno de R$ 9,5 mil. E, hoje, sempre de acordo com o advogado, Giba já paga 70% da conta. "Ele cobre 70% da necessidade que eles têm na Romênia. É só a Cristina pagar 30% que está tudo bem", diz Santa Maria,.

Quando os dois tiveram filhos, foi Pirv quem encerrou a carreira. Giba continuou atuando como jogador profissional, enquanto ela atuava como sua empresária. Foi nesse contexto que a Justiça entendeu, em 2013, que Giba, então ainda atuando profissionalmente, deveria pagar uma pensão de mais de R$ 50 mil ao mês aos filhos após o divórcio.

Após a aposentadoria de Giba, em 2014, o valor foi sendo modificado, até chegar nos R$ 15 mil atuais. Em 2018, com Pirv reclamando que Giba havia suspendido os pagamentos, a prisão dele foi decretada pela primeira vez. Mas não foi cumprida porque o jogador estava na Coreia do Sul e, antes de voltar ao Brasil, tomou um empréstimo com amigos para quitar a dívida, de cerca de R$ 90 mil.

A justificativa de Giba

Giba tenta reduzir ainda mais o valor da pensão, que seria defendido também pelo Ministério Público (MP), que propôs R$ 7,7 mil ao mês, de acordo com o advogado do ex-jogador. Antes que uma decisão sobre o valor fosse tomada, porém, a juíza da 7ª Vara de Família do Estado do Paraná, decretou a prisão de Giba.

O ex-atleta alega que não tem bens. O apartamento em um bairro nobre de Curitiba, que pertencia ao casal e ficou com Giba depois do divórcio, foi vendido, segundo o advogado, para pagar outros advogados e custas judiciais. Giba também não tem carro, segundo seu advogado. O automóvel que ele dirige pertence à família da atual esposa, Malu Daudt.

De acordo com Santa Maria, o ex-jogador paga algumas prestações do veículo, mas só quando o utiliza. Giba também não tem residência, apesar de ter uma filha de três meses, e por isso não solicita a guarda da filha mais velha que, segundo Santa Maria, quer morar com o pai.

À Justiça, Giba, que foi garoto-propaganda de diversas marcas ao longo dos últimos anos e dá palestras remuneradas, tem o salário como embaixador da FIVB como única fonte de renda. "Você não consegue um contrato de publicidade todo mês. Ele é um jogador de vôlei, ex-atleta, ele não é um jogador de futebol, que guardou dinheiro", argumenta o advogado.

Giba é considerado um dos melhores jogadores da história do vôlei, também um dos mais midiáticos e vencedores. Jogou a maior parte da carreira nas ricas ligas da Itália e da Rússia. Em 2011, de acordo com matéria do UOL, ele recebia R$ 1,5 milhão ao ano.

Santa Maria comenta a situação financeira de Giba: "Ele tem outros compromissos. Ele está sendo executado pelos cartões de crédito do passado. Está sendo executado pelo Banco do Brasil", afirma. O advogado também diz que Giba é responsável, sozinho, pelo sustento da nova família, já que Malu não trabalha desde pelo menos o início do relacionamento com o ex-jogador. "Hoje, ela está cuidando da filha e, antes de ter a filha, ela cuidava das coisas do Gilberto."

Nem Pirv nem seu advogado, Rodrigo Reis, aceitaram gravar entrevista. Antes de a reportagem falar com o advogado de Giba, o representante de Pirv enviou um vídeo ao Olhar Olímpico no qual afirmava que o valor proposto por Giba não era cobria nem o custo da escola. Ele também lembrou que Giba ficou com duas empresas no processo de divórcio.

"Dois CNPJ's constituídos durante o matrimônio. Essas empresas foram deixadas sob responsabilidade do senhor Gilberto. Ele ficou também com apartamento em bairro nobre de Curitiba, enquanto minha cliente ficou com a casa onde eles moravam. Isso foi totalmente consensual", afirma.

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