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CAS nega recurso e Rafaela Silva fica fora da Olimpíada por doping

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

21/12/2020 17h10

A Corte Arbitral do Esporte (CAS), instância máxima da Justiça esportiva, rejeitou o recurso apresentado por Rafaela Silva e manteve a suspensão de dois anos aplicada a ela por doping. Com isso, a judoca brasileira, atual campeã olímpica, está fora dos Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem. Ela ainda perde a medalha de bronze individual conquistada no Campeonato Mundial do ano passado e o Brasil perde o bronze conquistado na prova por equipes — na ocasião, ela competiu mesmo já sabendo dos boatos de que havia sido pega no doping.

Rafaela testou positivo para Fenoterol, uma substância proibida, durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, em agosto do ano passado. Como a competição era internacional, a jurisprudência era do painel da Federação Internacional de Judô (FIJ), que deu a ela uma suspensão de dois anos.

Após receber uma suspensão maior do que o esperado, Rafaela Silva optou por mudar sua defesa. Dispensou o advogado Bichara Neto e o bioquímico L.C. Cameron, que haviam construído a tese de que a judoca ingeriu uma substância dopante ao dar seu nariz para um bebê chupar, e contratou o especialista Marcelo Franklin.

O especialista, conhecido por vitórias em casos do tipo, apresentou "novos cenários para a contaminação", o que não convenceu a corte suíça. Em nota distribuída hoje à imprensa, a CAS disse que a defesa de Rafaela pediu uma sanção mínima ou advertência porque ela teria sido "acidentalmente contaminada com a substância proibida pelo contato com sua colega de quarto ou com torcedores durante os Jogos Pan-Americanos".

"O Painel da CAS responsável não conseguiu concluir que Rafaela Silva havia se livrado da responsabilidade que cabe a ela no equilíbrio de probabilidades da 'rota da ingestão' de uma substância proibida. Consequentemente, o Painel não foi capaz de reduzir ou eliminar a sanção imposta a ela na decisão contestada", explicou a corte.

A perda é enorme para a delegação brasileira. Mesmo sem competir desde outubro do ano passado, Rafaela é a sexta do ranking mundial da categoria até 57kg e seria fortíssima candidata a mais uma medalha. Profissionais da comissão técnica da seleção apostavam que, depois do tombo, ela voltaria com o dobro de determinação.

Agora o Brasil tem um problema porque a próxima judoca do país no ranking mundial, Ketelyn Nascimento, é só a número 43 da lista. Jéssica Pereira, que estava suspensa por doping e também é do Instituto Reação de Flávio Canto, voltou do gancho competindo na categoria de Rafaela e até foi bronze no Campeonato Pan-Americano. Mas, com apenas três torneios na subdivisão, ela é apenas número 56 do ranking. Com isso, o Brasil periga não ter atletas nessa categoria em Tóquio, o que prejudicaria também a escalação para a disputa por equipes mistas, na qual o país teria boas chances de medalha. Sem Rafaela, o caminho fica bem mais difícil.

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