PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

Presidente do handebol suspenso por assédio sexual renuncia ao cargo

Ricardo Souza, o Ricardinho, presidente da Confederação Brasileira de Handebol - Agência Câmara
Ricardo Souza, o Ricardinho, presidente da Confederação Brasileira de Handebol Imagem: Agência Câmara
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/12/2020 18h32

Então presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), Ricardo Souza, o Ricardinho, renunciou ao cargo hoje (10). Dois dias antes, na terça, ele havia apresentado um atestado médico de "tosse crônica" para pedir afastamento do cargo por 30 dias, na expectativa que o Comitê Olímpico do Brasil (COB), na ausência dele, liberasse recursos para a seleção masculina disputar o Mundial, em janeiro. O COB reafirmou que só aceitaria a renúncia, e ele acabou não tendo escapatória.

Ricardinho foi suspenso pelo Conselho de Ética do COB, por dois anos, depois de uma denúncia anônima relatar um episódio de assédio sexual e moral contra uma funcionária da confederação durante os Jogos Pan-Americanos. Como revelou o Olhar Olímpico, ele a levou para Lima e tentou incluí-la como sua "acompanhante" no quarto do hotel oficial dos presidentes de confederações, enquanto ela se recusava.

A suspensão, porém, é aplicável apenas ao movimento olímpico, não necessariamente à confederação. Ela tem autonomia para manter Ricardinho na presidência, mas, ao fazer essa escolha, abriu caminho para que o COB cortasse qualquer tipo de relação oficial com a CBHb. E isso inclui o repasse de recursos da Lei Agnelo/Piva, única forma de sustento da confederação, que não tem patrocinador privado.

Ricardinho, que foi eleito vice-presidente e assumiu a presidência quando Manoel Oliveira foi afastado pela Justiça, anunciou sua renúncia em carta. "É do conhecimento de todos o que ocorreu na mina vida nos últimos meses. Fui alvo de um linchamento moral que nem os piores criminosos do país sofreram. Não tive sequer o direito de cumprir a pena a que fui condenado após os recursos, direito este conferido a qualquer criminoso do país, mesmo na certeza da injustiça feita contra minha pessoa", reclamou.

"Mesmo tendo o direito de permanecer no cargo para o qual fui eleito democraticamente, assegurado por uma decisão judicial, resolvi renunciar à presidência da entidade, para que a perseguição dirigida à minha pessoa não acabe por prejudicar todo o handebol, que é um patrimônio do povo brasileiro, e que as pessoas passam, mas as instituições ficam. Muitos já passaram e a CBHb e o handebol permanecem", escreveu, ressaltando que sua renúncia é "irretratável e irrevogável".

Agora o handebol deve correr contra o tempo para disputar o Mundial já nos primeiros dias de janeiro. Ontem (9) a confederação anunciou a convocação de 20 jogadores, sendo 17 de clubes europeus, que devem começar a treinar no dia 27, daqui a pouco mais de duas semanas. Mas a convocação não diz em que lugar do mundo será a apresentação e o treinamento.