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Seleção argentina de rúgbi decide não punir capitão por posts racistas

Pablo Matera é capitão da seleção argentina de Rugby - Divulgação/Los Pumas
Pablo Matera é capitão da seleção argentina de Rugby Imagem: Divulgação/Los Pumas
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

03/12/2020 10h32

A União Argentina de Rúgbi (UAR), entidade máxima do rúgbi argentino, anunciou na madrugada de hoje (3) que decidiu não punir o capitão da seleção nacional, Pablo Matera, e outros dois jogadores que fizeram diversas postagens racistas, xenofóbicas e preconceituosas contra pobres enquanto já defendiam a equipe argentina, em 2012. Os posts só geraram repercussão agora, depois que o time foi bastante criticado por não homenagear Diego Armando Maradona após sua morte.

Os posts antigos de Matera, de 2012, quando ele já era capitão da seleção júnior, foi os que mais repercutiram. "Bela manhã para sair de carro e pisar nos negros", escreveu Matera aos 19 anos. Após o Campeonato Mundial da categoria, disputado na África do Sul, ele festejou poder ir embora "desse país cheio de negros". Disse que se um boliviano usa mp3 há provas suficientes para prendê-lo por roubo, e declarou odiar paraguaios, entre outras muitas mensagens racistas, homofóbicas, gordofóbicas, etc. Na mesma época, Guido Petti e Santiago Socino também fizeram postagens semelhantes.

Os posts vieram a público na segunda-feira, depois que Matera e os companheiros compartilharam um pedido de desculpas ao povo argentino por não terem homenageado Maradona da forma esperada no amistoso contra a Nova Zelândia, no fim de semana. Jornalistas e torcedores acusaram a seleção de rúgbi, os "Pumas", de serem elitistas. Os jogadores tentam refutar esse rótulo, mas os tuítes antigos foram recuperados para mostrar como pensa, ou pensava, o líder do grupo.

Matera logo deletou sua conta no Twitter e pediu desculpas "a quem se sentiu ofendido". Horas depois, a UAR soltou comunicado informando o afastamento dos três da seleção por tempo indeterminado e a revogação do posto de capitão de Matera. Parecia o fim da linha para o jogador, um ídolo do país, mas aí veio a reviravolta.

Na nota publicada na madrugada, a UAR disse que repudia o conteúdo dos tuítes, mas que "os três jogadores expressaram seu profundo pesar, reiteraram o pedido de desculpas, ratificaram que não é o que pensam e que foi um ato temerário típico da imaturidade". Para a comissão disciplinar, eles "provaram ser pessoas com valores firmes e íntegros e dignas de fazer parte da equipe" e, por isso, escaparam sem nenhuma suspensão. Estão todos prontos para defender a Argentina e, Matera, de volta ao posto de capitão.