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Olhar Olímpico

Jaqueline mostra queimadura e reclama de novo piso da Superliga: "Péssimo"

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

17/11/2020 16h22

Jogadora brasileira mais influente nas redes sociais, Jaqueline postou duras críticas à nova quadra utilizada nas competições da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), No Instagram, onde já superou a marca de 1 milhão de seguidores, a atacante do Osasco reclamou que o piso, quando seco, impede o deslize e mostrou como seu corpo ficou queimado depois da vitória sobre o Fluminense, na sexta (13)

"Estou toda arrebentada, já. Joguei o primeiro jogo, entrei, fui pegar a largada, e o que aconteceu", comentou Jaqueline, nos Stories do Instagram, mostrando uma queimadura acima do quadril. "Quem tem aflição com queimaduras, olha isso daqui. Essa quadra nova, ela não desliza, não. Ela para você e queima você todinha. Vou ter que jogar de faixa, com proteção no braço. Vou ter que proteger tudo para jogar nessa quadra nova".

Jaque está em fase final de tratamento por lesão na coxa, mas entrou no jogo de sexta para sacar. O machucado veio num lance em que ela precisou defender. E o primeiro contato com o novo piso em partidas não foi dos melhores. "É péssimo. Dentro amarelo e fora azul. E outra, dá não. A outra quadra era tão boa, ninguém nunca reclamou. Por que vai mudar de uma hora para outra? Já vi algumas jogadoras se machucarem, escorregarem assim", Jaque continuou reclamando. A antiga quadra, laranja, era de outro fabricante.

Como mostrou o Olhar Olímpico, a quadra nova, feita de material vinílico, é uma ação de marketing da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A entidade convenceu o Banco do Brasil, já patrocinador da CBV, a se tornar também patrocinador da Superliga. E, como contrapartida, ofereceu a quadra de jogo como uma propriedade comercial. Com dinheiro doado pela BB Seguros via Lei de Incentivo ao Esporte, a CBV comprou 24 pisos flutuantes nos mesmos tons de amarelo e azul da marca Banco do Brasil.

Jaqueline mostra queimadura em jogo da Superliga - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Os pisos foram comprados juntos à fornecedora Recoma, que os encomendou de uma empresa chinesa, que também fez os pisos utilizados, por exemplo, nos Jogos Pan-Americanos. Ainda com pouco uso, esses pisos têm maior aderência, e, ao mesmo tempo que impedem os jogadores de deslizarem em situações normais, se tornam muito escorregadios quando molhados. Além disso, a linha de jogo na cor branca, para não quebrar o padrão amarelo/azul do patrocinador, não é facilmente identificável pelos atletas.

E tem mais: "Ninguém consegue ver onde está molhado na quadra, porque é amarelo. Muitas não conseguem ver a linha da linha dos três. Muda a cor, então. Coloca um pouco mais escuro, para a gente poder ver quando alguém escorregar e molhar a quadra. Só treinando alguns dias aqui eu já percebi que vai ser dureza", continuou Jaqueline.

A CBV não respondeu as questões que o Olhar Olímpico enviou há duas semanas sobre as críticas que têm sido feitas à nova quadra. A Recoma diz que trocar a cor da linha é algo que está sendo discutido e que a quadra deslizará mais facilmente depois de mais tempo de uso.