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Olhar Olímpico

De Maurren e Luiz Lima a Kuki e Dinei, atletas fracassam na eleição

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

16/11/2020 04h00

Em um ano em que atletas concorreram até a prefeituras de capitais, o resultado eleitoral foi péssimo para o esporte. De jogadores famosos, como Adriano Gabiru e Kuki, a medalhistas olímpicos como Maurren Maggi e Diego Hypolito, praticamente ninguém conseguiu se eleger nem mesmo às Câmaras municipais. As exceções são o Goleiro Vinicius (Republicanos), que, concorrendo com esse nome na urna, se elegeu vereador em Belém (PA), onde ele joga pelo Remo, e o triatleta olímpico Paulo Miyashiro (Republicanos), agora vereador em Santos (SP).

Em números totais, o atleta, ou ex-atleta, mais bem votado do país foi o deputado federal Luiz Lima (PSL), candidato bolsonarista à prefeitura do Rio. Ele recebeu cerca de 180 mil votos e ficou no quinto lugar, com 6,8% dos votos. Saiu-se melhor que outro ex-atleta que concorria a prefeito, João Derly (Republicanos), sétimo em Porto Alegre, com 19 mil votos, cerca de 3% dos votos válidos. O ex-boxeador Acelino Popó concorreu a vice na chapa de Celsinho Cotrim (PROS), que teve somente 1,5 mil votos para a prefeitura de Salvador, apenas 0,1% do total.

Em São Paulo, Maurren Maggi recebeu mais de R$ 300 mil do DEM para fazer sua campanha e tentar se eleger vereadora, depois de concorrer ao Senado em 2018. Mas ela não ficou nem entre as 10 primeiras do partido, com 6.228 mil votos. Diego Hypolito, seu amigo, não foi melhor pelo PSB: 3.786 mil votos. Os dois se encontraram após a votação.

Ainda na capital paulista, Marcelinho Carioca (PSL) teve a pior votação da carreira política, que coleciona diversas derrotas eleitorais, e ficou com 7.574 mil votos — em 2012, pelo PSB, chegou perto de 20 mil. Foi melhor que o também ex-corintiano Dinei (Republicanos), que teve 2.960 mil votos. O ex-UFC Matheus Serafim também era aposta do partido dele, o PP, teve mais de R$ 300 mil para a campanha, mas ficou com somente 3.495 mil votos. A medalhista olímpica Kelly do Basquete (PTB) foi pior, com 464.

Entre os esportistas que concorreram em São Paulo, os que se saíram melhor foram os de carreira menos conhecida. Esgrimista em atividade, com convocações para a seleção brasileira, Naira Sathiyo recebeu 15.791 votos e é a primeira suplente do Novo. Ex-jogador do NBB e influencer de basquete, Douglas Viegas Ninja é o terceiro suplente do DEM, com 12.426 votos.

Mesmo um ex-atleta que tinha carreira consolidada na política não conseguiu se eleger. Paulo Rink (PL), vereador em segundo mandato em Curitiba (PR), não ficou nem entre os 100 mais bem votados da cidade. Ele recebeu 1.607 votos. Ao menos foi melhor que outros dois ex-jogadores que concorreram na capital paranaense: Adriano Gabiru (PMB), que teve 283, e Saulo Tigre da Vila (Cidadania), com 526.

Em Recife a disputa foi entre ídolos. Carlinhos Bala (PP), do Santa Cruz, foi melhor que Kuki (PSB), do Náutico: 1.884 x 1.329. Não adiantou nada, nenhum dos dois se elegeu. Nem Renatinho do Santa Cruz (Avante), que teve 363 votos. Aliás, usar nome de clube não foi sinônimo de sucesso, que o digam China do Grêmio (PSC), com 223 votos em Porto Alegre, Nonato do Cruzeiro e Sergio Araújo do Galo, ambos do Avante, que tiveram 406 e 81 votos em Belo Horizonte, respectivamente.

Somália (PP) foi melhor, mas, com 2.255 votos, não se elegeu também, assim como Serginho do Vôlei (PV), que teve 1.823. Isso em uma capital, Belo Horizonte, que reelegeu como prefeito, com votação expressiva, o ex-presidente do Atlético-MG Alexandre Kalil (PSD). Muito diferente de Roberto Dinamite, que foi presidente do Vasco e deputado estadual por cinco mandatos, até 2015. Desta vez o ex-artilheiro foi muito mal na eleição do Rio, com 1.995 votos pelo DC (Democracia Cristã). Outro ídolo vascaíno, Geovani Silva (PP) só teve 651 votos em Vila Velha (ES).

Todo o sucesso como jogador de futebol não ajudou Ceará (Avante) a se tornar vereador em Nova Lima (MG). O campeão mundial teve 340 votos, apenas. Odvan Zagueiro (MDB), ídolo do Vasco, somou 227 votos em Campos do Goytacazes, Maizena (Patriota) teve 151 votos em Fortaleza. Paulo Almeida até foi bem votado para os padrões de Itarantim (BA), sendo escolhido por 303 eleitores, ficando como o sétimo mais votado da cidade. Mas o Republicanos não chegou ao coeficiente eleitoral e ele ficou fora da Câmara.

Macedo (Avante), ex-São Paulo, teve somente 134 votos em Americana. Narciso dos Santos (SP) Pelo mesmo partido, Narciso dos Santos recebeu 306 votos em Santos (SP). Em Benevids (PA), Vélber Risadinha (PROS), ex-Paysandu e São Paulo, recebeu apenas 119 votos.

Fora do futebol, atletas de diversas modalidades também passaram longe se eleger. São os casos, entre outros, de Ana Amorim (Patriota, 381 votos) em Blumenau (SC), Julião Neto (PCdoB) em Belém (PA), o medalhista olímpico Sandro Viana (PP, 517 votos), em Manaus (AM), a técnica de ginástica Georgette Vidor (Cidadania, 392 votos) em Petrópolis (RJ), a ex-jogadora de basquete Marta de Souza (Patriota, 96 votos) em Santo André (SP), o também ex-atleta de basquete Filipin (PSB, 783) em Mogi das Cruzes e o canoísta Charles Correia (PV, 63 votos), em Piraju (SP).

Prata nos Jogos Olímpicos de 2008 no vôlei de areia, Fábio Luiz (PDT) teve 241 votos e não se elegeu em Vitória (ES). Atleta olímpica em duas oportunidades, Magnólia Figueiredo (Solidariedade) teve 914 votos e não se elegeu em Natal.

Da turma do vôlei, ficaram distante de vagas no legislativo a ex-líbero da seleção Sandra Lima (Podemos, 47 votos) em Teresópolis (RJ), Karin do Vôlei (PSDB, 200 votos) em Brusque (SC), e o campeão olímpico Rodrigão do Vôlei (PSDB, 997 votos), em Praia Grande (SP). Tifanny Abreu (MDB), que está jogando a Superliga, teve uma candidatura quase sem visibilidade e recebeu apenas 266 votos em Bauru (SP). Até Chico do Judô (PSD), presidente da relevante Federação Paulista de Judô (FPJ), deixou a Câmara de Mauá (SP) depois de quatro mandatos.

Presidente afastado da Liga de Basquete Feminino (LBF), Ricardo Molina já pode voltar ao cargo. Ele, que queria se lançar candidato a prefeito, acabou concorrendo como vice pelo Republicanos na chapa de Rafael Macris (PSDB), que terminou apenas em terceiro em Americana (SP).

Na falta de bons resultados para o pessoal do esporte, entra na conta Axel Grael (PDT), irmão de Lars e Torben Grael, que se elegeu prefeito de Niterói, com 62% dos votos. Com carreira política na cidade, ele chegou a ser vice-prefeito no passado.