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COB mantém Missão Europa apesar de segunda onda da Covid-19

Seleção de boxe treina em Portugal - Marcello Bravo/COB
Seleção de boxe treina em Portugal Imagem: Marcello Bravo/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

05/11/2020 04h00

Quando anunciou a Missão Europa, em julho, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) justificou o envio de centenas de atletas ao Velho Continente, especialmente a Portugal, como um "suporte à retomada de treinamentos dos atletas classificados ou com potencial de classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio". Quando o projeto começou a ser desenhado, a quarentena no Brasil era rígida, em meio a recordes de mortes, enquanto a Europa começava a voltar à normalidade.

Quatro meses depois, a segunda onda do coronavírus bateu forte na Europa. Em Portugal, diariamente são batidos recordes de novos casos. Enquanto isso, no Brasil, as regras estão cada vez mais flexíveis. Mesmo assim, o COB segue enviando equipes para Portugal, retirando as dos locais de treinamento no Brasil. Hoje estão no CT de Rio Maior, nas proximidades de Lisboa, as seleções de triatlo e boxe, além de parte da equipe de esgrima. Até o final do ano, wrestling e ginástica de trampolim também viajam.

A ida da seleção permanente de boxe é a que mais chama atenção. A equipe treina em um centro de treinamento da confederação em São Paulo, com os atletas morando em alojamento da entidade, e parte da seleção chegou a se trancar em uma "bolha" em um hotel em Embu das Artes. O CT de Rio Maior não tem equipamentos de boxe, que precisam ser alugados pelo COB, pagando em euro, cuja cotação bate recordes.

"A gente fez um questionamento às confederações que se interessaram a ir para Europa: o que faria na Europa que não faria no Brasil. Fomos avaliando com as confederações essa diferença, esse benefício em treinar numa condição mais monitorada. O boxe apresentou argumentos onde a condição de treinamento em São Paulo ainda não estava no nível que eles precisariam estar nesse momento", justifica Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB.

Segundo ele, quando houve a decisão pela viagem, que aconteceu em 30 de outubro, havia restrições para o treinamento em São Paulo. E, por isso, havia a necessidade de treinar em um ambiente mais controlado. "A preparação em São Paulo não está ainda adequada à necessidade da equipe. Eu entendo que o dólar está alto, o euro está alto, entendo as comparações com outas situações que poderiam ser adequadas a isso, mas existe um processo de concentração que entendemos que era interessante. Existem aspectos psicológicos que consideramos importantes", continuou.

No mês passado, a seleção de boxe viajou do Brasil para a Bulgária para participar de um torneio amistoso. Já de volta a São Paulo, o técnico Matheus Alves testou positivo para Covid-19 e a hipótese mais provável é que ele tenha se contaminado na viagem. Por isso, a seleção treina em Portugal sem seu treinador. COB e comissão técnica, porém, entenderam que a viagem seguia valendo a pena.

"A forma de acompanhamento presencial é melhor que à distância? Sem dúvida. Mas ele tem um modelo de trabalho com a equipe em que ele delega a capacidade de condução da equipe para seus auxiliares. São profissionais que precisam adquirir maturidade, faz parte da transferência de capacidade de liderança", explica Bichara.

O diretor do COB bate na tecla que o comitê não é "negacionista" e que não minimiza as precauções quanto ao coronavírus. Segundo ele, o COB mantém contato direto com o CT em Portugal e não se furtará em mudar os planos se entender que o cenário mudou. "Se tivermos que rever essa situação, vamos rever. Não vamos expor ninguém à morte, medalha não vale qualquer preço, mas temos que ter uma boa preparação, e essa preparação não é de uma hora para outra", ele diz.

De acordo com o COB, mais de 300 pessoas, entre atletas, treinadores e oficiais, já participaram da Missão Europa. E só 1% deles, três, pegou Covid, provavelmente dois deles no deslocamento entre Brasil e Portugal. Um dos casos foi bastante grave. O técnico de atletismo José Antônio Rabaça, de 72 anos, ficou 24 dias na UTI com Covid. Ele já voltou ao Brasil e está em casa.

Bichara admite que COB e Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) não deveriam ter levado uma pessoa do grupo de risco à viagem. "Eu entendo que a gente acabou, nesse caso, expondo ele a uma situação de risco. Ele quis ir, ele fez questão de ir, e as entidades nesse momento acabaram aceitando essa condição e expondo ele a uma situação de risco que não deveria fazer."

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