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Bruno Chateaubriand quer ser presidente da Confederação de Ginástica

Bruno Chateaubriand - Divulgação
Bruno Chateaubriand Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/10/2020 04h00

O empresário Bruno Chateaubriand, que já foi um dos maiores promotores da noite do Rio de Janeiro, será candidato à presidência da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) e poderá ser o primeiro cartola assumidamente gay do movimento olímpico brasileiro. Atual presidente da federação do Rio e ex-árbitro internacional de ginástica de trampolim, ele deve concorrer como opositor de Maria Luciene Resende, que ao que tudo indica vai buscar o quarto mandato.

Isso apesar de a Advocacia Geral da União (AGU) entender que a Lei Pelé proíbe repasse público a entidades dirigidas por cartolas que vierem a se reeleger agora para terceiro ou mais mandato. Em parecer técnico de fevereiro, a área jurídica do Ministério da Cidadania interpretou que, pela Lei Pelé, "presidentes ou dirigentes máximos que já se encontravam eleitos em abril de 2014" (quando a lei mudou) só poderiam, a partir dali, concorrer a mais uma reeleição. Luciene já fez isso no final de 2016.

Diversos presidentes de confederação que estão há mais de uma década no poder, porém, deverão concorrer mesmo assim. Entre as estratégias estudadas está um mandado de segurança coletivo ou realizar a eleição e, depois, tentar emplacar a interpretação de que a Lei Pelé permite mais uma reeleição para todo mundo que já estava no poder em 2014.

Incomodado com esse cenário, que poderia deixar a ginástica impedida de receber recursos púbicos, Bruno Chateaubriand, que vinha rejeitando a hipótese de se candidatar, mudou de ideia. "A gente não pode deixar a ginástica assim, sem saber o que vai acontecer. Falta transparência, a gente não sabe nem quando vai ser a eleição. O prazo para inscrição de chapa é até 30 de outubro, mas a eleição pode acontecer em qualquer momento entre 1º de dezembro e 31 de março. A confederação não dá respostas", diz ele, que precisará ir até Aracaju, onde fica a confederação e a casa de Luciene, para registrar sua chapa.

Bruno conta que bateu o martelo que seria candidato, dentro da própria cabeça, na última quarta-feira. Depois, começou a fazer ligações, gerando burburinho no meio da ginástica. A CBG é presidida pelo mesmo grupo desde 1991, com Vicélia Florenzano passando o bastão para a então vice Luciene em 2009.

É sabido no meio da ginástica, porém, que quem comanda a confederação não é Luciene. As decisões antes eram tomadas pelo marido, Ary Resende, que cedeu o posto para o filho Cacá, marido da técnica da seleção de ginástica rítmica Camila Ferezin. Mesmo sem cargo oficial na CBG, Cacá viajou para a Missão Europa, do Comitê Olímpico do Brasil (COB), e a filha deles ficou hospedada com a delegação por cerca de dois meses.

"Acredito que devemos abrir o debate sobre o repasse de verbas para as federações. O debate deve ser mais democrático. A alternância de de gestores é fundamental par o crescimento das instituições. Adoraria ver quatro, cinco chapas nessa eleição. Com múltiplas ideias, com propostas para o crescimentos de todas as ginásticas no Brasil", comentou Bruno, ao Olhar Olímpico.

"Ouvimos na rádio corredor que o COB apoia a permanência da atual gestão no poder. Sinceramente isso me parece estranho. Uma vez que o próprio COB busca, através da renovação dos estatutos, a alternância de poder nas confederações", continuou o empresário, que tem conversas abertas pelo cargo de vice e diz que "amaria" que fosse um atleta.

Conhecido por ter sido um dos principais socialites do Rio, função que não ocupa mais desde que se separou de André Ramos, em 2017, Bruno foi atleta de destaque na ginástica de trampolim, modalidade que então não era olímpica. Disputou os Mundiais de 1992, 1994 e 1996, foi hexacampão brasileiro no tumbling e depois foi, concomitantemente, atleta e árbitro internacional. Com o tempo, se afastou da ginástica, reconectando-se como empresário dos irmãos Daniele e Diego Hypolito.

Em 2016, foi um dos padrinhos do Time Brasil, então como "celebridade". Mudou de status para cartola em 2017, quando assumiu a federação do Rio. Sob sua gestão, a entidade montou equipamentos que estavam esquecidos em contêineres e passou a ser a principal organizadora de eventos no Brasil, tendo realizado Campeonatos Brasileiros de todas as modalidades olímpicas da ginástica.

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