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Técnico da seleção de handebol é demitido sem nenhum jogo e nenhum treino

Washington Nunes, técnico da seleção de handebol - Cinara Piccolo/Photo&Grafia
Washington Nunes, técnico da seleção de handebol Imagem: Cinara Piccolo/Photo&Grafia
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

08/10/2020 11h49

Durou dois meses, alguns dias, nenhum jogo e nenhum treino a terceira passagem de Washington Nunes pelo comando da seleção brasileira masculina de handebol. O treinador foi demitido esta semana antes de sequer se reunir com a equipe, que ele chegou a convocar para um período de treinamento em Portugal a partir do próximo dia 30 de outubro. A equipe tem boas chances de ir à Olimpíada.

As constantes trocas de comando na seleção masculina coincidem com as constantes trocas de comando na Confederação Brasileira de Handebol (CBHb). Washington Nunes é o técnico preferido do presidente eleito (e agora afastado) Manoel Luiz Oliveira, mas tem desavenças com Ricardo Souza, o Ricardinho, eleito vice e agora presidente em exercício.

Washington foi contratado em 2017, por Manoel, e comandou o Brasil no seu melhor resultado em Mundiais, no início de 2019, quando Ricardinho já estava na presidência. Sua demissão ocorreu após fraca campanha no Pan, quando a seleção falhou em conquistar o ouro e a vaga olímpica. Mas a análise geral, à época, é que a o período de treinamento foi muito curto. Ricardinho culpou Washington e o demitiu.

Para o seu lugar foi contratado o desconhecido espanhol Daniel Gordo. No comando do Brasil, ele também não teve tempo de trabalhar e perdeu o título do Centro-Sul-Americano para a Argentina, no começo do ano. Foi demitido por Ricardinho, que transformou Marcus "Tatá", do Taubaté, em interino. Mas nem houve tempo de qualquer treino.

Em agosto, Manoel voltou à presidência e recontratou Washington a 16 dias do julgamento que provavelmente o afastaria do comando da entidade. Esse julgamento aconteceu em 10 de setembro, teve o resultado esperado, e Manoel ainda se manteve quase um mês no cargo alegando que não havia sido notificado. Washington, mesmo bancado por um presidente com hora marcada para sair, convocou a seleção para treinar no final de outubro.

Há mais ingredientes nessa salada, porém. Ricardinho foi condenado pelo Conselho de Ética o COB por assédio sexual e suspenso do movimento olímpico por dois anos. Ele conseguiu uma liminar na Justiça Comum e assumiu a confederação quando Manoel foi afastado, mas sua gestão à frente da CBHb, no entender do Conselho de Ética, não pode ser reconhecida pelo COB. Se o comitê aceitar que uma suspensão por assédio não seja cumprida, abrirá precedente perigosíssimo.

Mesmo correndo o risco de fazer a CBHb ser suspensa, Ricardinho não só assumiu como o fez dando ordens. Demitiu Washington e contratou Tatá, que antes de aceitar foi consultar o próximo da fila da presidência, Jefferson Oliveira, do Amazonas, se seria mantido no cargo em caso de mais uma troca no comando. Ouviu que sim. Agora, resta saber se a seleção, que tem Pré-Olímpico no ano que vem, poderá viajar com tudo pago pelo COB para a "Missão Europa" e Tatá poderá trabalhar.

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