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Tóquio anuncia Olimpíada mais enxuta, mas sem afetar atletas e medalhas

Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach - DENIS BALIBOUSE
Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach Imagem: DENIS BALIBOUSE
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

25/09/2020 12h29

Para o público, a Olimpíada de Tóquio, disputada em 2021, será muito parecida, talvez até igual, àquela que seria realizada em 2020. Mas quem estiver em Tóquio vai participar de uma competição bem mais enxuta, com menos dinheiro sendo gasto com o que não é o coração dos Jogos: os jogos.

Cada instalação olímpica (ginásio, arena, pista) é uma estrutura gigantesca e complexa, com centenas de pessoas de pessoas trabalhando nos bastidores. São desde voluntários que indicam o trajeto que deve ser percorrido pelo público até seu assento até restaurantes para alimentar a massa de trabalhadores e linhas de ônibus específicas para levar essas pessoas até um hub.

Hoje (25), os organizadores da Olimpíada de Tóquio anunciaram os planos para reduzir os custos com os bastidores, incluindo uma redução de 10 a 15% no número de pessoas com acesso a esses bastidores. Reduzindo a cota de jornalistas, por exemplo, reduz-se o número de trabalhadores no centro de imprensa de cada instalação, reduzindo também o número de viagens de ônibus, de refeições servidas, de banheiros necessários, etc. E tudo isso diminui o número de trabalhadores necessários, também.

A promessa é de que 52 itens sejam propostos nas medidas, que incluem, por exemplo, a redução na quantidade de iluminação temporárias adicionais para os locais, além do fim das cerimônias de hasteamento de bandeira na Vila Olímpica. Também haverá menos decoração (envelopamento), com cortes chegando a até 40%. As cerimônias de abertura e encerramento serão mais simples — e baratas.

Mas não é só em força de trabalho que a Olimpíada sofrerá reduções. Parte significativa dos custos dos Jogos está relacionada à "família olímpica": dirigentes dos comitês olímpicos e das federações internacionais que ficam nos melhores hotéis, têm serviço de buffet nas instalações e se locomovem em veículos exclusivos. Haverá menos credenciais para a família olímpica, assim como para os convidados dos patrocinadores e para a mídia.

Tudo para que não seja necessário mexer no número de atletas previstos: 11.091. "Essas otimizações e simplificações marcam um passo importante para a entrega de Jogos seguros e bem-sucedidos em 2021. Nós devemos para isso para o público durante esses tempos desafiadores. Por isso, não deixamos pedra sobre pedra e continuaremos a procurar novas oportunidades nos próximos meses", comentou John Coates, australiano que comanda a organização dos Jogos pela parte do COI.

"O 'Modelo de Tóquio' não apenas entregará os Jogos adequados para um mundo pós-coronavírus, mas também se tornará um projeto que beneficiará os futuros Comitês Organizadores por muitos anos", avalia ele. Desde antes da Rio-2016 o COI vem discutindo a redução de custos dos Jogos, inclusive com a criação da 'Agenda 2020", em 2014. O Rio, porém, não foi beneficiado por essas medidas, que começam a valer em Tóquio.

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