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Rúgbi pede desculpa por contratar CEO machista e promete rever contratações

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

23/09/2020 19h13

O Conselho de Administração da Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu) rompeu o silêncio e se pronunciou no fim da tarde de hoje (23) sobre a grande polêmica que a entidade se envolveu ontem (22). O ex-jogador universitário Eric Romano foi anunciado como novo CEO da CBRu e logo surgiram diversos prints de falas machistas, homofóbicas e gordofóbicas dele. A pressão foi tamanha que, horas depois, ele enviou uma carta pedindo demissão.

O órgão colegiado, que se reuniria à noite para decidir o que fazer (e muito provavelmente demitir Romano), aceitou o pedido de desligamento. Em nota hoje, disse que abriu novo processo seletivo para cargo de liderança da confederação, promovendo "ajuste". Os pré-requisitos para o cargo foram alterados para que, além da experiência acadêmica e profissional sejam avaliados "valores e atitudes difundidos pelo rúgbi".

Essa foi a principal queixa da comunidade do rúgbi, que se mobilizou com força nas redes sociais ontem, como contou o Olhar Olímpico em primeira mão. O rúgbi é tido como um esporte inclusivo (a primeira participação olímpica brasileira, no Rio, terminou com um pedido de casamento entre duas mulheres) e, no Brasil, as mulheres têm melhores resultados que os homens. Por isso, a contratação de uma pessoa que acha que "LGBT é doença" e que "feminismo é um mal que precisa ser combatido" foi vista como intolerável.

O Conselho de Administração reconheceu o erro. "À comunidade e público do rúgbi brasileiro, nos desculpamos pelo equívoco no processo e reforçamos nosso repúdio a qualquer manifestação preconceituosa e intolerante", disse o órgão colegiado.

Na sua carta de demissão, Romano reconheceu a veracidade das postagens publicadas pelo Olhar Olímpico, inclusive duas delas deste ano, que "representam uma visão de mundo" que ele abandonou, "em uma guinada firme". Quatro meses depois de dizer que homossexualidade é doença, ele chegou à CBRu renovado e perdoado por ele mesmo. "Perdoei-me por um passado de que em nada orgulho-me e busquei novos caminhos", escreveu.

Reclamando não ter tido uma segunda chance comandando o rúgbi brasileiro, afirmou que não queria manchar a modalidade. "Ainda que sinta hoje injustiçado por não ter tido uma segunda chance para mostrar com atitudes a minha visão corrente e nem mesmo a oportunidade de vivenciar e mostrar que abandonei os erros do passado, prefiro deixar o cargo a ser a razão de prejuízo ao esporte", continuou. Na parte final da carta, ele ainda pediu desculpas a "tod@s que ofendi", trocando o artigo pela arroba.

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