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A duas semanas da eleição, COB ainda discute quem pode ser candidato

Simbolo do COB - Divulgação
Simbolo do COB Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

23/09/2020 19h08

Faltando duas semanas para a eleição que vai escolher, entre outros cargos, os futuros presidente e vice do Comitê Olímpico do Brasil (COB), ainda ninguém pode se dizer, oficialmente, candidato. É que nenhum nome foi, ainda, aprovado pelo Comitê de Conformidade e o prazo para que isso ocorra é a terça-feira da semana que vem, dia 29. A oito dias da votação.

A falta de regras claras sobre o processo eleitoral vem gerando incômodo. Até horas atrás, cabia ao Conselho de Administração funcionar como Comissão Eleitoral. Assim, a fiscalização do pleito eleitoral era realizada pelo presidente desse conselho, Marco La Porta, presidente em exercício do COB e candidato a se reeleger como vice.

"Não é justo eu conduzir o processo eleitoral", reconhece La Porta. Mas isso só foi alterado após uma discussão no grupo de Whatsapp dos presidentes de confederação. Enrique Dias, do levantamento de peso, aliado do pré-candidato Hélio Cardoso, enviou na segunda-feira (21) um ofício perguntando se existia uma Comissão Eleitoral e, se sim, quem são seus componentes. Perguntou também se existe um calendário eleitoral e onde ele foi publicado.

Em resposta, La Porta, que é presidente em exercício porque Paulo Wanderley se afastou para se dedicar à campanha, convocou na terça à tarde uma reunião do Conselho de Administração para acontecer menos de 24 horas depois. Às pressas, foi criado um "Comitê de Assessoramento Eleitoral", presidido por Ricardo Machado, da esgrima, e composto também por Tiago Camilo (presidente da Comissão de Atletas) e Carlos Osso (membro independente).

O calendário eleitoral, porém, segue um problema, como admite La Porta e reclamam os dois pré-candidatos de oposição. Por estatuto, as chapas tinham até 8 de setembro para se inscreverem para uma eleição que deveria ocorrer no último trimestre. Esperava-se um pleito em 25 de novembro, mas Paulo Wanderley, que é quem tinha a atribuição de chamar a eleição, escolheu a data de 7 de outubro.

O COB contratou uma consultoria independente para fazer uma checagem de credenciais de integridade, sobre os candidatos, tanto a presidente e vice como aos conselhos de administração de ética, e identificar quem não cumpre os requisitos para se candidatar. Mas esse levantamento demorou a ser concluído. Só agora toda essa papelada chegou ao Comitê de Conformidade.

De todos os lados, a preocupação é o calendário melar a eleição. Se qualquer candidato vier a ter sua inscrição aceita, ele pode, pelo estatuto, recorrer uma Câmara Arbitral. Mas os prazos processuais são mais extensos que o tempo que falta para a eleição. E o estatuto não prevê o que acontece se chegar o dia do pleito e houver alguém brigando na Câmara Arbitral para ser candidato.

O risco maior não é nem a eleição para presidente e vice, que tem três chapas: Rafael Westrupp (tênis)/Emanuel Rego (atleta olímpico), Helio Cardoso (pentatlo)/Robson Caetano (atleta olímpico) e Paulo Wanderley(ex-judô)/Marco La Porta (ex-triatlo) — estes últimos tentam reeleição. O problema é que ninguém tem certeza se todos os candidatos a serem membros independentes do Conselho de Administração passarão pela peneira. Essa resposta só será dada na semana que vem.

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