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Sueco Duplantis bate recorde mundial da vara após 26 anos

Mondo Duplantis bate recorde mundial do salto com vara - ANDREAS SOLARO/AFP
Mondo Duplantis bate recorde mundial do salto com vara Imagem: ANDREAS SOLARO/AFP
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

17/09/2020 17h10

Depois de 36 anos como recordista mundial no salto com vara, Sergey Bubka finalmente deixou o posto. Era questão de tempo até que Armand Duplantis, sueco de apenas 20 anos, batesse o recorde mundial do ucraniano. E isso aconteceu hoje (17) em Roma, em etapa da Diamond League. O mundo agora é de Mondo, como o novo astro é conhecido.

No salto com vara, o sarrafo é colocado cinco centímetros mais alto a cada rodada, mas só até que seja definido o vencedor. Em um nível muito acima dos demais, Duplantis vinha, nas últimas semanas, garantindo a vitória dos torneios e, em seguida, passando a tentar 6,15m, o recorde mundial. Falhou em cinco oportunidades (15 saltos no total) até acertar em Roma.

Com o feito de hoje, Mondo tem a melhor marca da história, superando os 6,14m que Bubka saltou em 1994, enquanto o antigo ídolo soviético tem nove dos demais 10 melhores resultados de todos os tempos. Além deles, ninguém passou o sarrafo acima de 6,05m em provas outdoor.

É que indoor, onde não há efeito do vento, o francês Renaud Lavillenie saltou 6,16m em 2014. Mas esse recorde também já é de Mondo, que na temporada indoor deste ano saltou 6,17m no começo de fevereiro e 6,18m uma semana depois. As demais 7 das 10 melhores marcas de todos os tempos são de Bubka.

Com os dois recordes mundiais na sua mão, mesmo tendo só 20 anos, Mondo agora vai determinar o que será do salto com vara daqui para frente. Literalmente, o sarrafo tende a subir. Como comparação, aos 20, Thiago Braz tinha 5,76m como melhor da carreira saltando em ambiente indoor.

Mondo domina os fundamentos como se saltar com vara fosse brincadeira de criança. Para ele, de fato era. Seu pai, Greg, foi profissional no salto com vara. A mãe, sueca, também estudante na Universidade de Louisiana, foi heptatleta e jogou vôlei. Juntos, criaram três garotos atletas. O mais velho deles, Andreas, foi 10º no Mundial Júnior vencido por Thiago Braz, em 2012, mas não seguiu carreira. Por conta dele, a família Duplantis comprou uma pista pré-fabricada, colchões antigos, e transformou o quintal de casa em um espaço para treinamento.

O espaço era suficiente para um atleta mediano, mas não para o menino Mondo, que passou a cair sobre o colchão de alturas mais altas do que o recomendado para aquela espuma. Quando ainda estava no ensino médio, ele já passava 5,90m. Foi então que a família preferiu que ele passasse a treinar na universidade - de Louisiana, claro - onde ele aperfeiçoou ainda mais sua técnica. Com 18 anos, passou os 6 metros pela primeira vez, vencendo o Campeonato Europeu e melhorando ainda mais o recorde mundial júnior: 6,03m.

Mesmo nascido e criado nos EUA, Mondo representa a Suécia, terra da mãe, assim como já havia acontecido com o irmão. A explicação oficial é que competir pelo país europeu é menos arriscado, já que os Estados Unidos têm a seletiva olímpica mais difícil do mundo e pode deixar um recordista mundial fora dos Jogos Olímpicos se ele não terminar a seletiva entre os três primeiros. No salto com vara, os EUA já contam com Sam Kendricks, atual bicampeã mundial, superando em 2019 o próprio Mondo, que ficou com a prata.

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