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Ex-ministro de Temer articula candidatura de Westrupp à presidência do COB

Leandro Cruz e Rafael Westrupp, em foto de 2018 - Reprodução/Instagram
Leandro Cruz e Rafael Westrupp, em foto de 2018 Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

11/09/2020 12h00

A primeira eleição "democrática" do história do Comitê Olímpico do Brasil (COB) é também a primeira com participação ativa de atores da política partidária. Por trás da candidatura de Rafael Westrupp à presidência do COB está Leandro Cruz, ex-ministro do Esporte no governo Michel Temer e ex-aliado de Paulo Wanderley. Atualmente ele é secretário de Educação do Distrito Federal.

Presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Westrupp já recebeu três declarações públicas de votos: da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e de Andrew Parsons, presidente do Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) e eleitor do COB como membro do COI. Todos, como Westrupp, têm ligações com Cruz e com o Governo do Distrito Federal.

Cruz, por anos braço direito do ex-ministro e ex-deputado Leonardo Picciani (MDB) saiu do Ministério do Esporte direto para a Secretaria de Esporte do Distrito Federal, substituindo a senadora Leila do Vôlei, esposa de Emanuel, vice da chapa de Westrupp. Em Brasília, Cruz nomeou como assessora Marcela Parsons, esposa de Andrew, hoje no governo federal.

Com um projeto de transformar Brasília em capital do esporte no Brasil, Cruz intermediou um contrato de patrocínio do Banco de Brasília (BRB) à CBB, do basquete. A seleção brasileira chegou a jogar com o BRB no uniforme, mas não houve assinatura de contrato porque a CBB têm problemas de regularização. Sem pendência, a CBT de Westrupp acabou ficando com o patrocínio do BRB.

Cruz também recebeu orçamento para levar a Brasília diversos eventos esportivos. Inicialmente, delegou essa função a Sandro Teixeira, filho de Paulo Wanderley e seu antigo subordinado no Ministério do Esporte. Graças à prospecção de Sandro, Cruz firmou só no ano passado termos de fomento com as confederações de vôlei (R$ 1,9 milhão), canoagem (R$ 424 mil) e judô (R$ 2,8 milhões).

O governo distrital também se ofereceu para pagar pelo Pré-Olímpico Feminino de Basquete, que acabou sendo realizado em Porto Rico. Ainda foram anunciados, mas não realizados, por causa da pandemia, eventos internacionais de triatlo e de wrestling. Todas as seis confederações eram bastante próximas a Paulo Wanderley. Um mês depois de o BRB acertar patrocínio ao Flamengo, Sandro deixou o governo do DF e foi contratado pelo clube rubro-negro.

Leandro Cruz e Paulo Wanderley, porém, se afastaram este ano, no embrião do que passaria a ser a corrida eleitoral. Hoje opositor, Rafael Westrupp tornou-se membro do Conselho de Administração, por aclamação, sem concorrente, depois de ser convidado e chancelado por Wanderley. Sua candidatura, por isso, foi considerada uma traição pelo grupo de Paulo Wanderley, que também passou a ver Cruz como um adversário.

Antes de assumir que era candidato ao COB, Westrupp, que é fortemente ligado a Rafael Kuerten, irmão de Guga, garantiu sua reeleição na Confederação Brasileira de Tênis, ainda que seu mandato só vença em março do ano que vem. Para convencer as federações da necessidade de um processo eleitoral a toque de caixa, disse numa reunião, de acordo com pessoas que nela estiveram, que o patrocinador da confederação cobrava uma posição sobre o futuro. Esse patrocinador é o BRB, que nega qualquer influência.

Por ter votado contra a ampliação do número de votos de atletas na assembleia do COB, Westrupp larga com grande rejeição dos atletas que ele não queria que pudessem votar. Daí se justifica a escolha por um vice que é membro da Comissão de Atletas, Emanuel Rego. Mas isso fez com que cinco confederações aliadas saíssem do grupo. As de pentatlo moderno, tênis de mesa, remo, tiro esportivo e levantamento de peso lançaram Helio Cardoso de última hora.

Antes mesmo que esse formulasse suas propostas, a CBB anunciou que, depois de avaliar todos os projetos, havia optado por Westrupp. Cruz teve papel fundamental e viajou pessoalmente para Recife para conversar com Guy Peixoto, presidente da CBB. Saiu de lá com uma declaração pública de voto em Westrupp.

Anteontem (9) foi a vez de a CBF fazer o mesmo. A entidade, que não participa ativamente do COB, tem como vice-presidente Fernando Sarney. O irmão dele, Zequnha, é secretário do DF junto com Leandro Cruz. Durante a gestão deste na secretaria de esporte do DF, Brasília recebeu a final do Mundial Sub-17 e da Supercopa do Brasil. Rogério Caboclo, presidente da CBF, recebeu Westrupp, Wanderley e o então candidato Alberto Murray para ouvir as propostas dos três.

Quem também articula a candidatura de Westrupp é Duda Musa, ex-empresário de Neymar e presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSk). Diferente dos demais, porém, Musa não deverá aparecer ao lado do candidato na campanha. É que a Comissão de Atletas está irritada com Musa, que entrou na Justiça e conseguiu suspender a eleição dos representantes dos atletas.

Sem Alberto Murray, que ontem (9) foi obrigado a desistir da candidatura, depois do seu vice, Mauro Silva, pular fora do barco, é mais provável que os atletas optem por Paulo Wanderley contra Westrupp. Tudo indica que a chapa de Helio Cardoso, do pentatlo, e de Robson Caetano fique na primeira rodada. No total, 49 pessoas votam: 35 confederações, 12 atletas e os dois membros brasileiros do COB: Andrew e Bernard Rajzman.

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