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Olhar Olímpico

Ex-presidente do handebol é punido por assédio sexual no Pan

Ricardo Souza, o Ricardinho, presidente da Confederação Brasileira de Handebol - Agência Câmara
Ricardo Souza, o Ricardinho, presidente da Confederação Brasileira de Handebol Imagem: Agência Câmara
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/08/2020 20h08

O vice-presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), Ricardo Souza, foi punido por ter assediado moral e sexualmente uma funcionária da confederação durante os Jogos Pan-Americanos do ano passado, enquanto ele era presidente em exercício da entidade. O caso foi julgado pelo Conselho de Ética do Comitê Olímpico do Brasil (COB), que divulgou hoje (27), após publicação desta reportagem, que julgou "procedente" a representação contra o dirigente. Em outras palavras, que ele foi recebeu uma punição, não divulgada. O conselho também omite tratar-se de um caso de assédio moral e sexual, o que foi apurado pela reportagem.

A "conduta inadequada" de Ricardinho, como é conhecido, teria sido notada por diversas pessoas da delegação durante os Jogos Pan-Americanos, poucos meses depois de assumir o cargo interinamente. Mas só em setembro uma denúncia anônima foi feita no Canal de Ouvidoria do COB.

Essa funcionária, que terá o nome preservado pela reportagem, descobriu em Lima que estava registrada como "acompanhante" de Ricardinho e que, por isso, iria dividir o quarto de hotel com o presidente — esse posto pode ser ocupado por esposa, mãe, pai, filhos, etc, etc. Ninguém no comitê olímpico teria questionado a CBHb sobre o motivo de uma funcionária, credenciada para trabalhar no Pan, ficar no quarto do presidente. Em depoimento ao Conselho de Ética, Ricardinho afirmou que a suposta vítima teve com ele relacionamento amoroso.

Já em Lima, a funcionária teria se negado a dividir o quarto de hotel, motivo pelo qual Ricardinho solicitou dividir quarto com outro presidente de confederação e ceder sua hospedagem para a funcionária, que acabou sendo alojada para um hotel mais simples, onde também ficavam funcionários do COB.

Também foi juntado ao processo uma gravação em áudio na qual Ricardinho admite, à vítima do assédio, suas intenções ao levá-la ao Pan. A gravação aconteceu dentro de uma van contratada pela Missão do COB em Lima e foi feita pela própria vítima, que deixou o celular gravando durante a conversa.

Ricardinho está em vias de reassumir a CBHb. É muito provável que a Justiça volte afastar Manoel Oliveira do cargo em julgamento que vai acontecer no próximo dia 10 de setembro. Manoel é acusado de diversas irregularidades na gestão da confederação e já há um pedido para que um interventor assuma a entidade, na falta do presidente e, provavelmente, também de Ricardinho, o primeiro vice. O terceiro da fila é Jefferson Oliveira, do Amazonas, que também é presidente do Rio Negro, time de futebol.

Procurado, Ricardinho não respondeu o contato da reportagem.