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Time empresta elenco inteiro para maior rival continuar existindo

Duelo entre Iranduba e 3B - Divulgação/FAF
Duelo entre Iranduba e 3B Imagem: Divulgação/FAF
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/08/2020 15h29

Iranduba e 3B, dois times do Amazonas, têm uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. A necessidade de salvação, porém, uniu os dois times. Depois de tomar um calote do seu patrocinador, o Iranduba perdeu praticamente todo o elenco que disputa o Brasileirão. Seria o fim do projeto se o 3B, que está na segunda divisão, não oferecesse jogadoras, comissão técnica, centro de treinamento e tudo mais que for necessário.

Na prática, é o 3B que vai entrar em campo no sábado contra o Vitória, em Salvador, pela sétima rodada do Brasileirão Feminino, representando o Iranduba. "Emprestamos o time todo, a comissão técnica toda, a estrutura toda, alojamento. Salário pago por mim. É um time do estado que iria pegar W.O. e resolvemos dar essa ajuda. Por mais que o Iranduba seja nosso maior rival, é em prol do futebol amazonense", diz Bosco Brasil Binda, o dono do 3B.

O 3B, que disputa a segunda divisão nacional, a Série A-2, não chegou a parar de treinar, nem durante o período mais grave da pandemia em Manaus. Praticamente o elenco inteiro foi infectado depois de Bosco Brasil pegar a Covid-19 e continuar frequentando o CT, como contou o Olhar Olímpico. Tudo para que o clube brigasse pelo acesso.

A situação do Iranduba, porém, é oposta. De acordo com o clube, que em 2017 bateu diversas vezes o recorde de público no futebol brasileiro feminino, seu patrocinador master, a VeganNation, parou de pagar ainda no ano passado. Reclamando da falta de responsabilidade do patrocinador, abriu uma vaquinha na internet, buscando arrecadar 900 mil reais. Recebeu menos de R$ 5 mil em doações.

O caminho natural seria abandonar o Brasileirão Feminino no meio e arcar com as consequências. Mas aí veio a ajuda do B3, que só volta a campo dia 25 de outubro, porque a Série A-2 ainda vai levar mais dois meses para recomeçar. Durante esse período, o B3 vai representar o arquirrival Iranduba, que só tem quatro jogadoras registradas no BID, das quais apenas duas, as jovens Ana Paula e Thamires, estão em Manaus.

O problema será se o time jogar bem. O Iranduba é hoje o 12º colocado num campeonato de 16 times em que quatro serão rebaixados e oito passam à segunda fase. A fase de classificação, em turno único, acaba dia 18 de outubro, uma semana antes de o B3 voltar a jogar na Série A-2. O objetivo deverá ser brigar contra o rebaixamento. Quando a competição parou, Audax, Vitória e Ponte Preta tinham zero pontos e, por isso, são cotadas para cair.