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Basquete feminino se une em campanha por igualdade

Gil Justino com a camiseta do "Levante a Bola Delas" - Renan Pirani/Divulgação
Gil Justino com a camiseta do "Levante a Bola Delas" Imagem: Renan Pirani/Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/08/2020 08h00

Diversas das principais jogadoras do basquete brasileiro, do passado e do presente, estão unidas por uma causa em comum. Inspiradas no Dia Internacional da Igualdade Feminina, celebrado hoje (26), elas lançam o movimento Levante a Bola Delas, que pede visibilidade, apoio e condições igualitárias ao basquete feminino.

"Estamos num momento delicado, por causa da pandemia, e também preocupadas em relação a patrocínio. O basquete é o nosso trabalho e precisamos de apoio para ter uma Liga forte no ano que vem, com mais equipes, para que possamos continuar jogando no nosso país", diz a armadora Tainá Paixão, uma das líderes do movimento.

Para poder contar com jogadoras brasileiras que atuam no exterior, a Liga de Basquete Feminino (LBF) agora ocupa datas entre março e agosto, exatamente o período da pandemia do coronavírus em 2020 até aqui. Assim, a edição do ano passado terminou em agosto de 2019 e a do ano que vem deve começar em março de 2020. Nesse período de 20 meses, só um jogo foi realizado, da abertura da temporada 2020, que acabou cancelada.

A Caixa, que patrocinava a competição com R$ 2 milhões ao ano, decidiu não renovar tanto com o NBB quanto com a LBF. O campeonato masculino, muito mais rico, com diversos patrocinadores, recebeu oferta para ter viagens e hospedagens bancadas por recursos públicos do Comitê Brasileiro de Clubes, antes destinados aos campeonatos de formação. O feminino até agora está a ver navios.

Magic Paula opina: "Já caminhamos muito, mas ainda há um longo caminho a trilhar, e movimentos dessa natureza só fortalecem o basquete feminino e as atletas envolvidas nesse processo. Pode ser um start para as outras modalidades estarem juntas neste contexto. É nosso papel e é dessa forma que posso contribuir para que a modalidade se fortaleça cada vez mais, com patrocínios, uma competição forte e mais jogadoras atuando e curtindo o basquete. Tudo o que eu tenho hoje foi conquistado através do basquete e faz parte da minha filosofia estar junto e apoiar", diz.

Dos clubes que jogam o NBB, só um, o Sesi, investe também em basquete feminino. A modalidade está presente principalmente no interior de São Paulo, mas não há garantia nem de que o Campeonato Paulista será disputado. A pivô Erika, que recentemente cobrou que marcas de material esportivo também olhem para as jogadoras mulheres, comemora a união em torno de uma pauta comum.

"É muito bom ver o engajamento de todos em torno do basquete feminino. Isso mostra que estamos unidas defendendo aquilo que é direito nosso, que é a igualdade nos patrocínios, no apoio das marcas esportivas e visibilidade. Ter as atletas como Paula, Hortência e Janeth mostra que não estamos sozinhas e que todos querem só uma coisa, que é o crescimento do basquete feminino", comemora a pivô.