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Olhar Olímpico

Bolsa de R$ 1 mil por presença em reuniões virtuais irrita atletas

Kauiza Venancio nos 200 m rasos nas Olimpíadas do Rio - Wander Roberto/COB
Kauiza Venancio nos 200 m rasos nas Olimpíadas do Rio Imagem: Wander Roberto/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

19/08/2020 04h00

Atletas e confederações vivem em um eterno conflito por dinheiro. Eles demandando mais apoio, elas segurando a torneira dos recursos. O atletismo, porém, está vivendo uma situação oposta. O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) insiste em pagar aos atletas pela participação deles em reuniões do conselho de administração. Eles insistem que não querem receber o benefício que ganhou o apelido de "bolsa reunião".

A discussão começou em março, quando o Conselho de Administração votou o pagamento de um salário de R$ 4 mil líquidos, mais encargos, para que os membros do grupo participassem de cerca de seis reuniões por ano. Os três beneficiados, sendo dois representantes das federações estaduais (José Orliandes de Barros e Marcos Paulo Garcia de Andrade) e um dos atletas (Gladson Barbosa), votaram a favor.

A novidade pegou muito mal entre os atletas, que ficaram irritados em saber que Gladson receberia um bom salário para representá-los em algumas poucas reuniões. Um abaixo-assinado ganhou centenas de adesões em poucas horas e Gladson, que alegava que só pediu que fosse coberta uma despesa de R$ 1,6 mil por reunião, se viu forçado a renunciar. A proposta foi engavetada.

Anteontem (17), porém, ela ressurgiu, em um e-mail do presidente da CBAt, Warlindo Carneiro, à comissão de atletas. "Vocês deveriam rever e aceitar a ajuda de custo, uma vez que, através dela, vocês poderiam fazer várias ações de doações e podem dizer que é a CBAt que está repassando para a comissão com a finalidade de ajudar os atletas mais carentes, e que não pode ser repassado diretamente a eles via CBAt em função das diretrizes que regem nosso contrato", escreveu.

Carneiro também avisou, no e-mail, que na segunda-feira mesmo iria depositar o dinheiro na conta de Kauiza Venâncio, presidente da comissão. Uma reunião da comissão foi convocada e, por unanimidade, os atletas foram contra.

"O assunto já foi repudiado dias atrás pela grande maioria esmagadora da comunidade atlética, e mesmo assim o presidente da CBAt, Warlindo Carneiro, volta com a proposta "reformulada" em diárias para cada participação de reunião virtual (sem custos), do Conselho de Administração. O mais grave é que os pagamentos na forma de diárias, não é possível acompanhar no website da CBAt na aba transparência, pois não consta nada, dificultando o controle social da entidade. A ABAAt é contra os pagamentos de diárias, principalmente pela proposta não ter sido debatida em Assembleia Geral", comentou a associação dos atletas. Procurada pela reportagem, a CBAt disse que não comentará o assunto até a realização da assembleia em setembro.

Warlindo, que chegou ao comando da CBAt no início de 2018, depois de Toninho Fernandes ser forçado ao renunciar, deve tentar a reeleição em março do ano que vem. A assembleia da CBAt tem ampla participação de atletas, antes mesmo das exigências da Lei Pelé reformulada. Votam não apenas os representantes dos atletas como todos os medalhistas olímpicos.