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Seleção de handebol recontrata técnico demitido há um ano

Washington Nunes, técnico da seleção de handebol - Cinara Piccolo/Photo&Grafia
Washington Nunes, técnico da seleção de handebol Imagem: Cinara Piccolo/Photo&Grafia
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

04/08/2020 20h20

A Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) anunciou nesta terça-feira (4) a contratação do técnico Washington Nunes para tentar classificar a seleção masculina para os Jogos Olímpicos. Washington havia sido demitido em agosto do ano passado por falhar em tentar classificar o mesmo time para a mesma Olimpíada. Foi com ele, porém, que o Brasil conquistou seu melhor resultado em Mundiais, um nono lugar em 2019.

A recontratação de Washington surpreende porque acontece a 16 dias de uma data decisiva para o handebol: o julgamento do processo que pode novamente afastar Manoel Oliveira do cargo de presidente da confederação. Quando Manoel voltou ao cargo, em março, sua primeira atitude foi demitir o espanhol Dani Gordo, que havia sido contratado por seu antecessor.

Washington havia sido contratado em 2017 para sua segunda passagem pelo cargo de treinador da seleção - a primeira havia sido entre 2008 e 2009 - e acabou demitido depois da campanha fracassada no Pan de Lima. Na ocasião, o Brasil perdeu do Chile na semifinal, numa zebra histórica, e perdeu a chance de se classificar à Olimpíada.

A demissão causou surpresa entre os jogadores, que gostavam do trabalho de Washington. Na sequência a CBHb, então presidida por Ricardinho Souza, anunciou a contratação do desconhecido Daniel Gordo, de apenas 38 anos, que tinha como maior feito o título da irrelevante segunda divisão espanhola e nunca havia treinado um time de ponta.

Na ocasião, o Brasil tinha chances remotas de ir à Olimpíada. Precisaria torcer por uma combinação de resultados em outros continentes para herdar uma vaga no Pré-Olímpico Mundial. O primeiro trabalho de Gordo foi Campeonato Sul-Americano de janeiro. O time fez 10 treinamentos, atropelou o Chile, mas perdeu de um gol para a arquirrival Argentina, ficando com o vice-campeonato.

O resultado em Maringá não agradou mas o que mais incomodou jogadores foi a postura do treinador, considerado arrogante. Não demorou para a CBHb e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) saírem atrás de outro técnico. O astro francês Didier Dinart, campeão mundial em 2017, foi sondado, mas recusou a oferta.

Depois disso veio toda a mudança no poder. Os denunciantes de Oliveira não deram continuidade à ação popular na Justiça Federal e a liminar que exigia seu afastamento do cargo desde 2018 caiu em março. Assim que ele reassumiu a presidência, demitiu Gordo. Agora, enquanto corre o risco de ter que deixar a cadeira de novo, recontratou Washington.

Antes do Pré-Olímpico, a seleção joga o Mundial do Egito, que continua programado para janeiro do ano que vem. "Nós da CBHb refletimos muito e chegamos a conclusão de que o retorno do Washington ao cargo de técnico é a melhor e mais coerente escolha. Washington é um treinador altamente capacitado e conhece esse grupo melhor do que ninguém. Eles juntos iniciaram este ciclo e conseguiram a inédita nona colocação no último Mundial. Foi exatamente essa colocação que nos deu a oportunidade de participar do Pré-Olímpico. Estamos convictos de que essa comissão, em conjunto com os atletas, vai trabalhar intensamente para buscar a tão sonhada vaga olímpica para Tóquio", explicou Fernando Pacheco, gerente de esportes.