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Opinião: Corinthians não é exceção e esporte sem teste vai ser regra

Andrés Sanchez em entrevista coletiva virtual no CT Joaquim Grava neste sábado - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Andrés Sanchez em entrevista coletiva virtual no CT Joaquim Grava neste sábado Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

04/08/2020 10h00

"O nosso protocolo é extremamente contrário a realização de teste sem necessidade" disse, há duas semanas, o presidente de um dos principais times do país. "Em diversas conversas com o departamento médico, nós chegamos à conclusão de que os testes não garantem e não avalizam nada. A gente acredita que com teste ou sem teste, o que nós necessitamos é de uma segurança do atleta da não transmissão", ele continuou.

Por muito menos, mas não sem razão, o Corinthians tem sido criticado. O clube se recusou a testar seus atletas antes da final do Campeonato Paulista de Futebol contra o Palmeiras (depois, voltou atrás), o que levantou a discussão sobre a obrigatoriedade dos testes antes de cada partida, para segurança de todos os envolvidos.

Sou do grupo que concorda que deve haver essa obrigatoriedade, como sou do time que é contra a volta do esporte no meio da pandemia. Mas acho que não podemos ser demagogos. Devemos nos preocupar com a saúde dos jogadores do Corinthians, do Palmeiras, do Magnus Futsal, do Sesi/Franca Basquete, do Sada/Cruzeiro, etc. Porque, afinal, a regra daqui em diante, quando voltarem as competições esportivas, será testar muito pouco (ou nem testar).

A declaração que abre o texto é do presidente do Magnus, de Sorocaba, uma das potências do futsal brasileiro. "A gente acredita que com teste ou sem teste, o que nós necessitamos é de uma segurança do atleta da não transmissão. Se o atleta tiver qualquer mínimo de sintoma, ele automaticamente está afastado. A gente entende que o teste em si, até por uma causa social, não faz sentido para o atleta de alto rendimento. Primeiro porque ele não está na zona de risco. Segundo porque estão faltando testes para a maioria da população brasileira que está na zona de risco e não consegue realizar os testes. A gente vai tirar teste de quem precisa fazer teste? O nosso protocolo do Magnus é extremamente contrário a realização de teste sem necessidade", disse Fellipe Drommond ao site da Liga Futsal.

Podemos acatar ou não os argumentos dele. Só não podemos fingir que não é essa a realidade do esporte brasileiro. Ou alguém espera que, antes de cada um dos jogos do Campeonato Paranaense de Futsal, marcado para começar daqui a três semanas, haverá testagem? O Campeonato Paulista de Basquete deve começar em setembro e o protocolo apresentado até aqui não prevê testagens.

Corinthians e Palmeiras são exceções no esporte brasileiro por terem recursos financeiros para pagarem testes diários se necessário for, como faz a NBA, por exemplo. Até por isso deveriam testar todos os dias. Mas a regra é orçamento apertadíssimo, que depende do retorno às competições ao mesmo tempo em que não tem dinheiro para testagem constante. Se não voltar a jogar, quebra. Se precisar pagar muitos testes, quebra. Qual a solução? Sinceramente, não sei. Mas sei que esses jogadores de futsal, basquete, handebol, vôlei merecem tanta preocupação quanto os jogadores de futebol do Corinthians.