PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

Tóquio descobre que se preocupou à toa com temperaturas altas na Olimpíada

Pessoas passam pelo relógio que faz contagem regressiva para as Olímíadas de Tóquio - Getty Images
Pessoas passam pelo relógio que faz contagem regressiva para as Olímíadas de Tóquio Imagem: Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

03/08/2020 14h52

O risco de os Jogos Olímpicos de Tóquio serem realizados sob temperaturas altíssimas fez até o Comitê Olímpico Internacional (COI) bater de frente com o comitê organizador e com o governo regional de Tóquio e tirar as provas de maratona e de marcha atlética da capital japonesa. Até neve artificial foi cogitada. Agora sabe-se, porém, que a preocupação foi em vão.

Tóquio tem tido dias de clima ameno durante o período em que deveria estar sendo realizada a Olimpíada, que acabou adiada para o ano que vem por causa da pandemia do coronavírus. Na semana passada, a temperatura máxima registrada em Tóquio foi 31ºC. Na semana anterior, em que deveria ter acontecido a Cerimônia de Abertura, a máxima foi de 27ºC. Até o próximo domingo, a capital japonesa não deve ver os termômetros marcando mais de 33ºC.

Os Jogos Olímpicos de Verão têm esse nome porque são realizados durante o período do Verão do hemisfério norte. O usual é que a competição ocorra entre julho e agosto, com poucas exceções, como em 1964, quando a Olimpíada de Tóquio foi marcada para outubro por causa do forte calor. Aconteceu o mesmo em 1968, na Cidade do México. Mas depois os Jogos voltaram para o calor de Barcelona e Atenas, por exemplo.

As altas temperaturas de Tóquio no verão passado, porém, causaram preocupação. Nos 10 últimos dias de julho e nos 10 primeiros de agosto a temperatura média na cidade foi de 32ºC, chegando a ultrapassar a marca de 41ºC. Só entre 29 de julho e 5 de agosto, mais de 1,8 mil pessoas precisaram ser internadas e 57 morreram em Tóquio por causa do calor.

O COI reagiu com medidas paliativas. A primeira delas, a antecipação de provas matinais a céu aberto. No hipismo, por exemplo, o cross country foi remarcado para 7h30. No triatlo, as largadas foram transferidas para a noite. Na medida mais radical, o COI levou para Sapporo, a 800 quilômetros de Tóquio, as provas de maratona e de marcha atlética. A postura veio depois de o Mundial de Atletismo, em Doha, mostrar para o mundo atletas derretendo no sol, sofrendo para competir.

Por enquanto, o cronograma dos Jogos Olímpicos em 2021 será idêntico ao programado para 2020, mantendo-se os dias da semana - a programação do sábado, 24 de julho de 2021, será igual à do sábado 25 de julho de 2020, e por aí vai. Hoje (3) o Comitê Paraolímpico Internacional anunciou que também a programação dos Jogos Paraolímpicos, de 24 de agosto a 5 de setembro, será replicada.