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Comissão de Atletas do COB nega participação de skatistas em eleição

Karen Jonz, pioneira do skate brasileiro - Instagram
Karen Jonz, pioneira do skate brasileiro Imagem: Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

01/08/2020 05h00

A eleição para a Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil (COB) virou motivo de embate entre o órgão e a Confederação Brasileira de Skate (CBSk). O pleito deveria ser realizado durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, que foi adiado. Mesmo assim, a eleição foi mantida, aberta à participação de atletas que já disputaram a Olimpíada. Com isso, skatistas (também surfistas e caratecas) não poderão nem votar nem serem votados, porque as modalidades só vão estrear ano que vem.

A postura da Comissão também deixa de fora do processo eleitoral atletas mais jovens. Por estatuto, eleição deveria ser durante a Olimpíada de Tóquio, podendo votar e ser candidato quem foi a Londres-2012, Rio-2016 e/ou Tóquio-2020. Acontecendo agora, eleição vai contar só com os atletas que foram Londres e/ou ao Rio. Logo, atletas mais experientes ou aposentados. Aqueles que disputariam sua primeira Olimpíada em Tóquio 2021 só poderão votar em 2024, influenciado as decisões do COB a partir de 2025. Ficarão quatro anos sem representação.

Em uma carta aberta divulgada na terça-feira, a CBSk criticou essa decisão. "Realizar a eleição nesse momento nos parece uma atitude contraditória à própria luta da Comissão de Atletas", diz a confederação, na carta, ressaltando que a decisão foi tomada sem "diálogo aberto".

A CBSk lembrou que, "com o intuito de atender aos preceitos da Carta Olímpica, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê
Paralímpico Internacional (IPC) tomaram a decisão de só realizarem as eleições de suas Comissões de Atletas após os Jogos de Tóquio".

Na sexta (31), a Comissão de Atletas do COB respondeu, rejeitando o pedido e explicando que o estatuto do COB é que determina que a eleição ocorra a cada quatro anos. "Entendemos que o mandato da CACOB não pode extrapolar quatro anos, devendo obrigatoriamente haver eleições dentro do referido quadriênio", diz a resposta da comissão, que diz "que atletas das novas modalidades (incluindo os atletas da CBSk),
terão de aguardar o próximo ciclo olímpico para participarem por ocasião da próxima eleição".

Ainda que a eleição ocorra durante os Jogos Olímpicos, no Brasil o mandato dos atletas só começa no começo do ano seguinte, para que os membros eleitos no ciclo anterior possam votar na eleição do COB em si, prevista para o último trimestre. Assim, o mandato dos atuais membros da comissão só começou em 2017, terminando em 2021, ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio.