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Prefeitura de São Paulo poupa R$ 48 milhões sem GP de Fórmula 1

Detalhe do Autódromo de Interlagos na cidade de São Paulo - Duda Bairros/AGIF
Detalhe do Autódromo de Interlagos na cidade de São Paulo Imagem: Duda Bairros/AGIF
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

28/07/2020 04h00

A prefeitura de São Paulo vai deixar de investir quase R$ 50 milhões com o cancelamento do GP Brasil de Fórmula 1 de 2020, o último previsto no contrato vigente entre a promotora Iterpub e a Liberty, dona da categoria. O dinheiro é uma espécie de contrapartida do governo municipal para ter na cidade a corrida que movimenta, segundo cálculos do governo, mais de R$ 300 milhões por edição.

No ano passado, a Secretaria de Turismo da prefeitura de São Paulo destinou R$ 38,9 milhões para a realização do GP Brasil. Foram R$ 8,3 milhões para a montagem de arquibancadas tubulares, R$ 6,7 milhões para "suporte técnico" e outros R$ 6,3 milhões em "apoio operacional". Só a limpeza do autódromo custou R$ 3,5 milhões e a segurança outros R$ 2 milhões.

A prefeitura tinha previsto que as licitações para 2020 consumissem R$ 48 milhões, "frente aos valores gastos com os mesmos itens nos anos anteriores", pelo que explicou o governo municipal, em nota. Ainda não havia nenhuma licitação em andamento, diferente do que informou o prefeito Bruno Covas (PSDB) na semana passada.

"Já determinei o cancelamento da licitação que estava em andamento no valor de R$ 48 milhões para a reforma da pista. Não tem mais como segurar isso. Já determinei o cancelamento porque não vamos gastar R$ 48 milhões com o risco de não ter Fórmula 1 em São Paulo", disse o prefeito em coletiva.

As últimas obras de reforma do autódromo, financiadas principalmente com recursos do PAC do governo federal a partir de 2013, foram entregues para o GP Brasil do ano passado. Mas, nos últimos meses, foram publicados aditivos ao contrato de reforma do paddock, o que significa que essas obras não foram oficialmente concluídas ainda.

A prefeitura planejava não mais precisa mexer em Interlagos. O governo municipal lançou no ano passado um edital para conceder o autódromo à iniciativa privada e, pelos termos desse edital, as reformas ficariam por conta do concessionário. Mas a prefeitura continuaria recebendo Interlagos de volta para o GP de Fórmula 1, honrando os custos operacionais durante esse período.

O Tribunal de Contas do Município, porém, encontrou diversas irregularidades no edital, que não foram corrigidas pela prefeitura. Na falta de um consenso, e com importantes players do mercado avisando que o valor mínimo de luvas estava alto demais, o governo Covas resolveu cancelar o edital.

Ao blog, a prefeitura disse que ainda não desistiu da ideia. "A administração vai analisar as recomendações do TCM para posterior elaboração de resposta com o objetivo que a licitação seja retomada", disse o governo.