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Bernardinho é apresentado no Flamengo e se compara a Jorge Jesus

Bernardinho é apresentado no Flamengo - Marcelo Cortes / Flamengo
Bernardinho é apresentado no Flamengo Imagem: Marcelo Cortes / Flamengo
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

17/07/2020 12h08

Flamengo, Bernardinho e Sesc-RJ apresentaram nesta sexta-feira (17) a parceria que cria um novo time de vôlei. O Sesc-RJ/Flamengo será bancado une as duas instituições e é uma continuidade do projeto de mais de duas décadas do treinador, que começou em Curitiba (PR) e já foi 12 vezes campeão nacional. Na entrevista, ele se comparou com Jorge Jesus e disse que pretendia conviver com o 'Mister', o que tudo indica que não irá acontecer.

Em sua primeira fala como treinador do Sesc-RJ/Flamengo, Bernardinho mostrou sonhar alto: "A vida tem desafios. É um sonho grande fazer um projeto de referência mundial, que as pessoas vejam muito mais do que um time de vôlei, mas cultura de trabalho, valores", afirmou.

Com o voto contrário do clube de Bernardinho, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) acabou com o ranking de pontos de jogadoras no vôlei feminino. Até a temporada passada, cada clube poderia ter somente duas atletas de primeiro nível, mas agora essa regra caiu. Com isso, volta a ser possível montar um supertime no Brasil, algo antes inviável em nome de um suposto equilíbrio técnico.

Com o orçamento mais restrito oferecido pelo Sesc-RJ, seria impossível caminhar por esse caminho sem uma nova parceria. Agora, com a dobradinha com o Flamengo e a força da marca rubro-negra, esse sonho passa a ser viável. No basquete, o Fla montou um time fortíssimo para a próxima temporada, com Yago, Marquinhos e Rafael Hettsheimer.

Os dois times, aliás, podem ter o Maracanãzinho como casa, caso a concessão do complexo seja renovada para o Flamengo ou o clube vença o edital de concessão. "Com essa multidisciplinaridade, com basquete e vôlei, se torna muito mais viável. Poder ter esporte de alto rendimento no Maracanãzinho seria incrível", comentou Bernardinho. Segundo o presidente Rodolfo Landim, a ideia é que o ginásio seja um ambiente naturalmente frequentado pelo torcedor rubro-negro que já vai ao Maracanã.

Na temporada passada, Flamengo e Sesc sofreram para achar ginásios para jogar. Os dois clubes, o time masculino do Sesc e a equipe de basquete do Flamengo utilizavam o ginásio do Tijuca, que ainda precisava reservar datas para times do clube. Em algumas partidas, o Fla jogou em casa, na Gávea.

Força do time é incógnita

A entrevista coletiva foi transmitida pela internet, pela FlaTV, mas não contou com a presença física de jornalistas, que participaram enviando perguntas, selecionadas previamente pelas assessorias do time e do Flamengo. Não ficou claro, entre as respostas dadas pelos participantes da coletiva, como o time será financiado. Também não foram discutidos reforços - por enquanto, só Lorrane, ex-Barueri, está acertada, para substituir Tandara, que foi para Osasco.

Bernardinho falou em parceria de três anos e da necessidade de o projeto, como outros do esporte olímpico do Flamengo, ser autossustentável, o que significa que o Fla não colocaria dinheiro próprio. O vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, Delano Franco, disse que existe um plano de obter recursos via Lei de Incentivo ao Esporte - dinheiro que não pode ser utilizado para pagar salários, por exemplo -, mas isso só seria viável no ano que vem.

Ainda de acordo com Franco, existe a possibilidade de um patrocinador do futebol também patrocinar o time de vôlei, mas que essa não é uma prática no Flamengo. A exceção é o BRB, que patrocinava o basquete e agora patrocina o futebol em um contrato mais complexo do que o simples patrocínio. Bernardinho afirmou que o projeto segue aberto a patrocinadores da iniciativa privada.

Oficialmente, o clube que vai jogar a Superliga é o Rio de Janeiro, CPNJ que, na prática, pertence a Bernardinho. Promovido da Superliga B em 2019, o Flamengo abriu mão de sua vaga na Superliga 2020/2021, depois de ser antepenúltimo colocado na sua reestreia na primeira divisão, escapando por pouco do rebaixamento. O Fla tem um bom projeto de formação nas categorias de base, que agora será acompanhado de mais de perto por Bernardinho. Não está claro se alguma jogadora do elenco rubro-negro será aproveitada no novo time.

Comparação com Jorge Jesus

Bernardinho chegou ao Flamengo animado com a possibilidade de trabalhar com Jorge Jesus, ainda que, nos instantes anteriores à coletiva, a imprensa portuguesa tenha começado a noticiar que o treinador estava fechado com o Benfica.

"Quem sabe vou poder conviver com o Mister. Recebi uma reportagem de um jornal português com ele falando de mim, não sabia que ele me conhecia. Teve um jogo que o Flamengo tava ganhando do Grêmio, acho que por 4 a 0, e alguém fez uma besteira e o mister foi duro em cima desses. Os comentaristas elogiaram, mas quando eu fazia eu era criticado", divertiu-se Bernardinho.

O treinador de vôlei acredita que tem uma forma de trabalhar parecida com do português."Olhando e vendo a forma de trabalhar, existe um alinhamento de espírito, busca de excelência. Eu estava vendo a final do Carioca e o Flamengo ganhando e ele tava abraçado e orientando jogador. Isso para mim é música nos ouvidos", contou.