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Governo barra votação de ajuda a esporte e frustra atletas e confederações

Bolsonaro com atletas -
Bolsonaro com atletas
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/07/2020 22h00

De nada adiantou mais uma intensa mobilização online de atletas e entidades esportivas. Mais uma vez, nesta quarta-feira (15), o Projeto de Lei 2.824/2020, de socorro ao esporte, foi retirado da pauta da Câmara. Desta vez, por mobilização do governo federal, que acionou deputados aliados para votar contra. A nova promessa é que amanhã (16) uma sessão começando às 11h vote enfim a proposta.

O projeto do deputado Felipe Carreras (PSB-PE) inicialmente visava pagar um auxílio de um salário mínimo a profissionais do esporte afetados pela pandemia e conceder facilidades financeiras a entidades e empresas de pequeno porte do setor esportivo. Mas o PL acabou sofrendo várias modificações nas mãos do relator Alexandre Frota (PSDB-SP), que agregou emendas principalmente do deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) e da senadora Leila do Vôlei (PSB-DF). A bolsa foi substituída pela inclusão da categoria no auxílio emergencial de R$ 600.

Entre as propostas que passaram a fazer parte do relatório estava a reabertura do Profut. O governo não gostou da ideia, alegou que o projeto como um todo custaria R$ 15 bilhões e, sem um consenso, o projeto saiu diversas vezes da pauta. No fim da semana passada, como contou o Olhar Olímpico, Frota se reuniu com o Ministério da Economia e as duas partes chegaram a um projeto de meio-termo, que custaria no máximo R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos.

O projeto estava na pauta de terça da Câmara e acabou adiado para esta quarta, quando Frota recebeu sinalização do governo de que o PL 2.824 não tinha o aval do Ministério da Economia. Os deputados da base receberiam orientação para voto contrário e o projeto podia não passar. Aí, concordou-se que era então melhor não votar.

Com isso, profissionais afetados pela pandemia seguem sem acesso sequer ao auxílio emergencial, proposta emendada por Leila num projeto aprovado pelas duas Casas e depois vetado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O deputado Luiz Lima (PSL-RJ), bolsonarista e ex-atleta, que vinha articulando junto a Carreras e Frota, lamentou no Twitter, sem citar o governo. "Lamentavelmente o projeto de socorro ao esporte não será votado hoje (15) na Câmara. Outros projetos tiveram prioridade durante o dia, apesar dos nossos esforços. Amanhã (16) tentaremos de novo. Na luta! Vai sair!", escreveu. Ontem (14), o ex-nadador havia apresentado uma emenda de plenário para reabrir o Profut para clubes excluídos do programa e para confederações.