PUBLICIDADE
Topo

Corridas de rua não devem voltar em 2020 e São Silvestre é esperança

Multidão na São Silvestre - Rovena Rosa/Ag. Brasil
Multidão na São Silvestre Imagem: Rovena Rosa/Ag. Brasil
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

09/07/2020 04h00

Os principais organizadores de corridas de rua do país já jogaram a toalha e não pretendem organizar novas provas em 2020. Depois de a gigante Iguana anunciar o cancelamento de todo o restante do calendário deste ano, restam poucas corridas de médio e grande porte que ainda não foram oficialmente canceladas - e a tendência é que elas sejam. A grande esperança é a São Silvestre.

Em São Paulo, a Federação Paulista de Atletismo (FPA) já avisou os principais organizadores que não irá emitir permit (autorização de prova) para nenhuma corrida de grande porte até o final de outubro. E recomendou que nenhuma prova para mais de 10 mil pessoas seja marcada até 31 de dezembro, ficando a São Silvestre como exceção.

A Yescom é quem opera a prova - vende inscrições, faz e distribui camisetas e medalhas -, mas os direitos da São Silvestre são da Fundação Cásper Líbero, que pediu até agosto para decidir se irá realizar a corrida. Por uma série de fatores, é improvável que a prova seja realizada no formato tradicional no último dia do ano, por mais que a própria FPA defenda a realização da corrida, nem que seja apenas com atletas de elite.

Na terça (7), a gigante Iguana Sports soltou comunicado avisando que está "transferindo" todos os eventos de 2020 para 2021, incluindo a SP City Marathon, "devido ao risco que o coronavírus representa para a saúde de participantes, trabalhadores, patrocinadores e apoiadores". Um dia antes, a empresa avisara o cancelamento da Volta da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), programada para 13 de dezembro. Ontem (8) foi a Unlimited Sports que anunciou que não irá realizar o Ironman 70.3 de São Paulo, que havia sido adiado para setembro.

O movimento, coordenado, é causado principalmente pelo cenário de incerteza, como tem sido conversado pelos organizadores constantemente. Produzir camiseta para uma corrida a um preço acessível toma três meses e, em um momento de crise econômica, os organizadores não querem arriscar mandar fazer agora material para uma prova em outubro e depois vê-la ser cancelada. Além disso, os patrocinadores tradicionais não estão dispostos a associar suas marcas a corridas que, depois, podem ser responsabilizadas pela propagação do coronavírus.

Os organizadores notaram também que a maior parte das mensagens recebidas de clientes questionava pelo cancelamento das provas ainda marcadas, e não pela confirmação da mesma, em um indício de que não há demanda suficiente para uma grande prova. Além disso, esses eventos se financiam porque a experiência vai além da corrida em si, incluindo opções de entretenimento que encarecem o tíquete. Com restrições a essas opções, os eventos teriam ainda mais dificuldade de se pagar.

A exceção é outra gigante do mercado, a Norte Marketing, que diz que "não faz sentido" organizar um evento sem segurança e cuidado com os clientes, mas que ainda aguarda para tomar qualquer decisão sobre o adiamento ou a realização de provas em 2020. Por enquanto, ela estão em stand by. "Se tivemos a oportunidade (de realizar provas) e aval em todas as instâncias para promover saúde, assim o faremos", diz a empresa, citando que "em alguns países e cidades ao redor do mundo, os eventos voltando com participação maciça e sem maiores problemas". O único país ocidental a organizar provas de rua é a Eslovênia, que teve menos de 300 novos casos nos últimos três meses.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) autorizou eventos após uma região completar quatro semanas na fase amarela. A cidade de São Paulo está na primeira delas. Em tese, as corridas poderiam voltar em agosto, mas é improvável que mesmo provas pequenas sejam realizadas. O custo de estrutura, afinal, parte de um valor considerável, que corridas com menos de 5 mil participantes têm dificuldade em cobrir numa cidade grande. A conta não fecha.

Para não serem obrigadas a devolver o dinheiro arrecadado com provas que não serão realizadas em 2020, os organizadores têm optado por "fundir" as edições de 2020 e 2021, realizando as provas no ano que vem. Na prática, é um cancelamento.

Na tentativa de continuar arrecadando dinheiro com inscrições, diversas provas seguem ainda marcadas, mesmo com tudo indicando que elas não serão realizadas. Das principais provas do país envolvendo a elite, seguem confirmadas a Meia Maratona de São Paulo (27 de setembro, não terá permit), Maratona do Rio (11 e 12 de outubro) e a Meia & Maratona de Florianópolis (11 de outubro). Também para a capital catarinense seguem confirmados o Ironman 70.3 (27 de setembro) e o Ironman (8 de novembro).