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Procuradoria vê 'quase incentivo' ao doping no Carioca sem exames

Rubens Lopes (centro), presidente da Ferj, em entrevista após reunião com os clubes por conta do coronavírus - Caio Blois / UOL
Rubens Lopes (centro), presidente da Ferj, em entrevista após reunião com os clubes por conta do coronavírus Imagem: Caio Blois / UOL
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

21/06/2020 14h00

Para voltar a realizar partidas do Campeonato Carioca, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) apresentou um protocolo que prevê que jogadores e comissão técnica dos clubes sejam testados diversas vezes para Covid-19. Mas o protocolo "Jogo Seguro" mais do que não prever testes antidoping deixa claro que a competição não terá controle de substâncias proibidas.

Em ofício enviado às principais autoridades de controle ao doping no país, a procuradoria-geral da Justiça Desportiva Antidopagem (equivalente ao ministério público) fez um alerta: "O futebol não faz exame fora de competição com frequência ou tradicionalmente, então o panorama é de quase 'incentivo' a dopagem, porquanto sem controle e outras competições no período, portanto sem nenhuma fiscalização no contexto da pandemia."

O documento, obtido pelo blog, foi remetido à secretária da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) Luisa Parente, com cópia para a dpresidente do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem Tatiana Mesquita Nunes e ao presidente do STJD do Futebol, Paulo Salomão Filho, e cobra explicações do órgão governamental sobre as medidas tomadas.

"Requeremos informações sobre o plano de controle de dopagem durante a pandemia e, especificamente, quanto ao Campeonato Carioca 2020 na sua retomada diante desse protocolo de determinação de ausência de testes antidopagem, e as eventuais providências desta renomada autoridade no contexto acima descrito", diz a procuradoria, hoje comandada pelo advogado Paulo Schmitt.

Quando procurada pela reportagem para comentar o protocolo, a ABCD disse que seguiria as diretrizes instituídas pela Wada em decorrência da pandemia de Covid-19. "É importante lembrar que a decisão sobre realização de testes ou não, em competições esportivas nacionais ou mesmo fora de competição, é exclusiva da ABCD", disse a entidade, em nota.

O item 10 do protocolo para a volta do Carioca diz que: "Durante o Protocolo de 'Jogo Seguro', não haverá solicitação de coleta de material para testagem de doping". A regra vai de encontro do que diz o Regulamento Geral das Competições da entidade para o ano de 2020: "Todo jogador poderá ser submetido a controles em competição, em qualquer jogo em que compita, mesmo que relacionado como reserva, não podendo afastar-se do estádio antes do fim da realização do exame. O atleta poderá também ser submetido a controles fora de competição, em qualquer momento e lugar, sem necessidade de aviso prévio por parte desta comissão", diz o regulamento.

Hoje, a decisão sobre a realização de exames passa mais pelos clubes. Há coleta quando o mandante ou o visitante solicitam o exame para ambos, arcando com os custos. Só o Flamengo vinha adotando essa prática. Pedidos por parte da Comissão Estadual de Controle de Dopagem são raros.

Procurada pela reportagem, a Ferj não respondeu sobre sua nova medida até a publicação deste texto.