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Especialista em atletismo some da web e jornal descobre que ele mora na rua

Joaquin Carmona, especialista em atletismo - Reprodução/Twitter
Joaquin Carmona, especialista em atletismo Imagem: Reprodução/Twitter
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/06/2020 11h39

Uma das referências para quem acompanha atletismo no Twitter, Joaquín Carmona completa hoje três meses sem postar nada para seus 19 mil seguidores. O jornal espanhol Sport descobriu o motivo: o especialista é uma pessoa em situação de rua, que dependia de bibliotecas públicas para acessar a internet e carregar o notebook. Com a quarentena em Madrid, ele não consegue acessar a internet.

"Eu postei o último tweet na estação de Atocha no dia em que começou o estado de emergência e a polícia ordenou que eu fosse embora antes de fechar tudo. Desde então, não tenho mais onde ligar o computador ou onde carregar a bateria", contou ao repórter Alfredo Varona, do Sport.

Joaquin, que pode ser encontrado no Twitter pelo @Jokin4318, tem sua conta na rede social desde 2010. Ali ele posta fatos históricos, estatísticas, comparações e resultados de competições das mais importantes às regionais, quase sempre com foto ou vídeo. Para quem acompanha atletismo pelo Twitter, talvez nenhum outro perfil em língua espanhola seja tão relevante.

Mas o especialista era rosto desconhecido. Não aparecia na televisão, não era conhecido por treinadores e atletas. Joaquin é um morador de rua de Madrid. Foi encontrado em um parque, onde estava com seus bens: um papelão, um colchão, mochila, três livros de atletismo que alugou em uma biblioteca antes da quarentena e seu velho notebook. Aos 46 anos, diz não gostar de dormir em albergues, onde já passou por "situações horríveis".

"Para mim, o Twitter é uma terapia que me alivia de tudo isso e me permite escrever sobre uma das minhas grandes paixões, como o atletismo, desde que vi Kratochvilova vencer os 800m no Mundial de Helsinque, em 1983. Essa prova ficou na minha memória. E o fato de saber que entretenho pessoas no Twitter me leva a pensar que pelo menos estou fazendo algo certo", contou o morador de rua, que é vegetariano e guarda dados históricos em uma planilha de Excel.

A reportagem do Sport não conta em qual parque Joaquin está morando, a pedido dele. Também não detalha como ele se tornou morador de rua, citando que na juventude ele chegou a distribuir panfletos, teve um quiosque de sorvete que viveu com ajuda do governo e abandonou os estudos quando ficou órfão. Nas redes sociais já corre uma vaquinha para ajudá-lo.