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Entidades judaicas criticam técnico que se vestiu como Hitler

Rinaldo Rodrigues posta foto vestido como Hitler - Reprodução/Instagram
Rinaldo Rodrigues posta foto vestido como Hitler Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

12/06/2020 04h00

Causou repúdio na comunidade israelita brasileira a imagem compartilhada pelo técnico Rinaldo Rodrigues, ligado à Liga Sorocabana de Basquete (LSB), em que ele aparece vestido como Hitler, com o bigode característico e uniforme nazista, com direito a bracelete com a suástica. A postagem foi feita no Instagram do treinador e revelada pelo Olhar Olímpico ontem (11). Depois da repercussão, ele trancou a conta na rede social, onde teria pedido desculpas e informado que desconhecia a história do nazismo.

Em nota, a Federação Israelita do Estado de São Paulo disse que repudia atitude. "Trata-se de atitude indesculpável e que merece toda forma de condenação possível. Não toleraremos 'brincadeiras' com temas tão sensíveis para todos nós", disse a Fisesp, que destacou que seu corpo jurídico está estudando medidas a serem tomadas.

O Instituto Brasil-Israel também se pronunciou. "O grande problema é que essas 'brincadeiras estão ficando frequentes no Brasil. Hitler surge e ressurge em vários casos e polêmicas. A suástica é mais comum hoje do que antes. Não devemos concentrar nossa atenção no caso específico, apesar de ele ser descuidado e desrespeitoso, mas pensar no que isso quer dizer sobre nós como sociedade", comentou o IBI.

Rinaldo é gestor da Liga Sorocabana de Basquete, time que disputou o NBB por diversos anos e que atualmente está numa espécie de segunda divisão do basquete nacional, o "Campeonato Brasileiro", organizado pela CBB. Em nota, a confederação também repudiou a atitude do treinador.

"Só tivemos contato visual. Trata-se de uma atitude abominável, de lesa humanidade e que vai completamente contra nossos valores. Vamos reunir informações sobre o ocorrido e levar ao nosso jurídico para entender quais são as atitudes cabíveis", comentou ela.

Ao Olhar Olímpico, Rinaldo disse que a postagem era uma brincadeira e a comparação dizia respeito só ao cabelo. "Isso aí (roupa nazista) não tem nada a ver. Isso aí é por causa do meu cabelo. O que eu vejo é por causa do meu cabelo. Deus que me perdoe, sou um cara católico, Deus o livre (qualquer associação com o nazismo)", disse ao blog, por telefone. "Eu não olhei nem a roupa. Eu não sei nem o que o cara fez. Eu olhei só meu cabelo. A minha imagem é meu cabelo", continuou.

O treinador já se meteu em diversas confusões no basquete. Em 2015, o ala-pivô norte-americano Taaj Ridley alegou que Rinaldo o agrediu com objetos e o ameaçou física e psicologicamente, utilizando para isso inclusive um revólver. De acordo com o jogador, o então treinador jogou uma caixa de som sobre a cabeça dele porque o americano não entendia a preleção, feita em português.

"Outro incidente ocorreu quando o técnico ficou irritado porque usei uma bandana para treinar, o que uso diariamente, ameaçou atirar em mim e mandou uma pessoa invadir minha casa enquanto eu dormia à noite", contou na ocasião. Ao Olhar Olímpico, o jogador, hoje nos Estados Unidos, disse que não guarda mágoa, mas que ainda se lembra "da forma terrível como ele me tratou como jogador e como pessoa". Segundo Ridley, ele nunca recebeu os salários atrasados da LSB e Rinaldo ainda o queimou perante outros clubes e "até em outros países".

Olhar Olímpico