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Atleta, novo ministro já comprou passagem para torneio com verba pública

Fábio Faria (PSD-RN) - J Batista/Câmara dos Deputados
Fábio Faria (PSD-RN) Imagem: J Batista/Câmara dos Deputados
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

12/06/2020 04h01

Novo ministro das Comunicações no governo Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) era jogador profissional de squash e já utilizou cota parlamentar para comprar passagens aéreas para viajar até locais de competições. De acordo com ele, porém, os dois bilhetes não chegaram a ser utilizados e outros dois foram substituídos por passagens para outros destinos.

A denúncia foi feita em 2018 pelo site Metrópoles. No final de julho de 2016, Faria comprou passagens de ida de volta de São Paulo para Curitiba. Na capital paranaense, ele disputou entre os dias 28 e 31 de julho uma etapa do Novo Squash Brasil, circuito nacional da modalidade. Depois, em setembro daquele ano, a história se repetiu. No dia 22, ele comprou passagens de ida e volta de São Paulo para Belo Horizonte (MG), onde no mesmo dia começou outra etapa do torneio.

Ao site Poder 360, a assessoria de imprensa do deputado disse que os bilhetes "não foram voados". Duas dessas passagens teriam sido canceladas e outras duas teriam sido remarcadas para trechos entre São Paulo, Natal e Brasilia, a um custo de R$ 221. O portal de transparência da Câmara dos Deputados não permite a checagem sobre a utilização dos bilhetes, apenas a respeito da compra. No total, as quatro passagens custaram R$ 3.409,86.

O ato da Mesa Diretora da Câmara que regulamenta o uso da cota parlamentar diz que a mesma é "destinada a custear gastos exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar". Eleito pelo Rio Grande do Norte, Faria usa regularmente sua cota parlamentar para viajar entre Natal, Brasília e São Paulo, onde mora a esposa Patrícia Abravanel, filha do apresentador Silvio Santos.

Em dezembro passado, o site Congresso em Foco, parceiro do UOL, mostrou que, até então, o deputado havia viajado 42 vezes para São Paulo com recursos públicos e apenas seis até o Rio Grande do Norte, onde tem residência eleitoral.

Histórico de Atleta

Atualmente com 42 anos, Fábio Faria anda afastado das competições de squash, onde antes era figurinha carimbada. No ano passado, disputou apenas um torneio, o Campeonato Brasileiro, em Brasília, em novembro, tendo sendo derrotado logo na primeira rodada. Em 2017, o já deputado chegou a disputar uma competição válida para o ranking mundial.

O squash profissional no Brasil foi bastante influenciado pelo novo ministro. Ele era o 12º do ranking do Novo Squash Brasil quando a liga, então no seu terceiro ano, em 2018, recebeu um patrocínio de R$ 700 mil dos Correios. A estatal era, naquele momento, presidida por Guilherme Campos, correligionário de Fábio Faria no PSD.

O argumento era que o squash poderia se tornar esporte olímpico em 2024, possibilidade que já era remota e de fato não se transformou em realidade. O contrato assinado em 2018 garantiu patrocínio à liga até abril de 2019 e permitiu que ela pagasse R$ 30 mil em prêmios nos torneios do ano passado. Quando o patrocínio acabou, a liga também chegou ao fim.

Em 2019 os Correios deixaram de renovar os últimos contratos de patrocínio ao esporte. Agora, Fábio Faria vai participar diretamente das decisões sobre eventuais novos contratos das estatais. Essa atribuição era da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), que agora foi transferida para o novo Ministério das Comunicações.