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Atletismo volta após pandemia com mini-evento grandioso

Mondo Duplantis quebrou recorde mundial indoor do salto com vara - Divulgação/Twitter: Mondo Duplantis
Mondo Duplantis quebrou recorde mundial indoor do salto com vara Imagem: Divulgação/Twitter: Mondo Duplantis
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/06/2020 04h00

O atletismo internacional volta nesta quinta-feira (11), em Oslo (Noruega), com um evento que promete ser grandioso, mesmo pequeno, contando com menos de 50 atletas. Sem poder reunir grande número de atletas, devido às restrições impostas pela pandemia do coronavírus, os organizadores da etapa norueguesa da Diamond League conseguiram organizar uma competição que, mesmo assim, promete entrar para a história.

Como a Diamond League segue suspensa, o meeting de Oslo ganhou um novo nome: Impossible Games (Jogos Impossíveis). Alguns dos melhores atletas do mundo estarão no estádio, mas não os torcedores. Na Noruega, afinal, as aglomerações continuam proibidas.

Com exceção dos 2.000m, quase todas as provas terá apenas três ou quatro competidores, todos da própria Noruega, ou das vizinhas Suécia e Finlândia. Grande nome do atletismo em 2020 antes da pandemia, o sueco Mondo Duplantis, que bateu duas vezes o recorde mundial indoor do salto com vara em fevereiro, viajou dos Estados Unidos para enfrentar o astro francês Renaud Lavillenie.

A disputa envolve uma logística complicada, a começar pelo fato de o francês ter decidido continuar em quarentena dentro de casa. Isso significa que seus saltos serão feitos no quintal de casa e transmitidos por telão. Isso não chega exatamente a ser novidade, porque Lavillenie e Duplantis chegaram a disputar uma competição online, cada um do seu quintal, contra o norte-americano Sam Kendricks.

Naquele momento, o fenômeno sueco estava nos Estados Unidos, onde mora. Filho de mãe sueca, ele costuma passar o verão na Suécia e foi para lá que ele viajou esta semana, conseguindo um voo de Nova Orleans para Estocolmo. Só que o voo não permitia o transporte de varas e o equipamento reserva dele estava na França. Então o saltador pagou um motorista para dirigir da França até a Suécia para levar as varas.

Na quinta, o próprio Duplantis vai dirigir por seis horas para chegar a Oslo. Por exigência dos organizadores, apenas carros elétricos podem levar atletas dentro do território norueguês. No estádio, o sueco terá como rival um atleta da casa de nível bastante inferior.

O evento promete também uma tentativa de quebra de recorde mundial na prova de 300 metros com obstáculos, que não é disputada no programa olímpico. Bicampeão mundial dos 400m com barreiras, Karsten Warholm vai correr sozinho contra o relógio, buscando superar a marca de 34s26, marca dele mesmo, obtida em ambiente indoor. O recorde outdoor é 34s48.

Além disso, os irmãos Henrik, Filip e Jakob Ingebrigtsen, noruegueses que brilham nas provas de 1.500m e 5.000m, vão disputar uma competição de 2.000m por equipes. Vai funcionar assim: eles e mais dois noruegueses vão correr em Oslo. Enquanto isso, cinco quenianos Timothy Cheruiyot e Elijah Manangoi, últimos dois campeões mundiais dos 1.500m, vão correr em Nairóbi ao mesmo tempo, também numa equipe de cinco. Os três melhores tempos de cada time serão somados para definir o vencedor.