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Renan deixa Taubaté, vira técnico exclusivo da seleção quer ajudar clubes

Renan Dal Zotto no duelo do Brasil contra o Canadá - FIVB/Divulgação
Renan Dal Zotto no duelo do Brasil contra o Canadá Imagem: FIVB/Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/05/2020 04h00

Depois de pouco mais de um ano trabalhando como técnico da equipe de Taubaté, que liderava a Superliga Masculina quando veio a paralisação pela pandemia, Renan Dal Zotto será treinador exclusivo da seleção masculino. Em acordo com a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), ele se comprometeu a não permanecer em Taubaté como diretor técnico, como havia anunciado, e se dedicar com exclusividade ao selecionado nacional até os Jogos Olímpicos de Tóquio.

"Com a mudança dos Jogos, eu sinto a necessidade também de dar atenção a esses atletas que estão fora do Brasil, os que estão jogando a Superliga, e para isso seria importante não ter vínculo com clube e ficar exclusivo da seleção, para ter legitimidade de visitar os clubes", explicou Renan ao Olhar Olímpico.

De acordo com o treinador, ele já havia definido que a temporada 2019/2020 seria a última se dividindo entre Taubaté, no interior de São Paulo, Saquarema, onde fica o centro de treinamento da seleção, e Florianópolis, onde tem mora com a família. Clube de maior investimento no país, o Taubaté foi atrás do argentino Javier Weber, porém, quis manter Renan mesmo assim e ofereceu a ele o cargo de diretor técnico. Na prática, seria uma espécie de embaixador do clube, uma vez que as funções administrativas já são responsabilidade do ex-treinador Ricardo Navajas.

Renan diz que está à disposição para desempenhar esse papel agora não só no Taubaté, mas em todos os clubes. "Se precisar ir junto a patrocinador, vou com camisa da seleção, para tentar incentivar os caras, falar um pouco do planejamento das principais competições. Quero estar próximo dos projetos. São os clubes que produzem atletas", diz.

O treinador quer ter liberdade para visitar outros clubes para acompanhar a evolução técnica e física dos atletas selecionáveis. Além disso, pretende viajar o mundo, dentro do que for possível, para acompanhar brasileiros no exterior.

Renan foi exclusivo da seleção desde que foi contratado, após a Olimpíada do Rio, até o início de 2019, quando acertou com Taubaté no meio da temporada. Agora, ele volta a esse regime de contrato, que tem um custo maior para a CBV. Na seleção feminina, Zé Roberto Guimarães se divide entre a equipe olímpica e o seu projeto em Barueri. Antes, teve outros projetos, como o de Campinas, e trabalhou no exterior. Bernardinho também se dividia entre a seleção e seu projeto, primeiro em Curitiba, depois no Rio.

Otimismo e cumprimento de regras

Dos quatro clubes mais bem estruturados do país, só dois (Sada/Cruzeiro e Taubaté) continuarão investindo na próxima temporada, ainda que o Cruzeiro tenha anunciado uma redução na ordem de 40%. O Sesc-RJ fechou o time masculino e o Sesi não terá elenco profissional até segunda ordem. As demais equipes estão praticamente paradas no mercado de transferências.

Com menos vagas de trabalho e o real desvalorizado, a tendência é mais jogadores indo para a Europa, onde as ligas tendem a reiniciar antes, também. Mesmo assim, Renan Dal Zotto tenta mostrar otimismo com o futuro do vôlei brasileiro.

"No pós-pandemia vamos retomar com tudo. Não podemos baixar a cabeça. O momento, assim que acabar isso aí, é de tentar retomar da melhor maneira possível. Todos os atletas que estão saindo estão indo para bons clubes. Hoje mais do que nunca o mundo está extremamente globalizado. A gente quer ter todos por perto, mas a gente sabe que é importante essa globalização. Eu já joguei na Itália, a gente sabe que é questão de mercado. Assim como grandes jogadores saíram outros voltaram. Importante é ter tempo e oportunidade para acompanhar eles", diz.

As viagens, porém, dependerão ainda de autorizações futuras. Aos 59 anos, Renan ainda não está no grupo de risco, mas um dos seus antigos colegas de seleção, o agora médico João Grangeiro, ficou mais de um mês na UTI com Covid-19. O treinador da seleção diz que cumprirá todas as determinações das autoridades sanitárias.

"Só vamos retomar atividade na hora que tivemos essa segurança que podemos viajar. O que nos deixa mais aflito é a insegurança de não termos informações suficientes de quando vamos poder retomar. Estamos falando que os campeonatos devem começar no segundo semestre, na Europa podem começar antes, mas não dá para afirmar nada. Claro que só vai acontecer tudo isso de ter treinamento, dos clubes começarem a se preparar, eu viajar, se estiver tudo dentro da normalidade."