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Secretário-geral da CBB por mais de duas décadas morre aos 88 com Covid-19

Edio Alves com a taça do Mundial de 1963 - Divulgação/CBB
Edio Alves com a taça do Mundial de 1963 Imagem: Divulgação/CBB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

25/05/2020 16h19

A história do basquete brasileiro e de Édio José Alves se confundem. Então com 30 anos, ele foi contratado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) para ajudar a organizar o Mundial de 1962 no Brasil. O torneio só ocorreria no ano seguinte, com a seleção brasileira conquistando o bicampeonato. Nesta segunda-feira (25), são festejados os 57 anos daquela histórica conquista. Também nesta segunda, após mais de meio século dedicado à organização do basquete brasileiro, Alves faleceu aos 88 anos.

Os presidentes da CBB foram sendo mudados, inclusive com mudanças de rumo, diversas gerações passaram pelas seleções masculina e feminina, mas Alves continuou como funcionário da entidade por 55 anos, dos quais pelo menos os últimos 20 como secretário-geral, cargo mais alto entre os funcionários não-estatutários.

A contribuição de Alves à CBB, porém, chegou ao fim quando Guy Peixoto foi eleito com a promessa de uma reestruturação pesada na entidade, em 2017. Naquele momento, a entidade era alvo de denúncias envolvendo a gestão de Carlos Nunes e Alves acabou responsabilizado junto com o último chefe, inclusive multado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por suspeita de fraudes em contratação.

Demitido da CBB após mais 55 anos, em novembro de 2017, Alves saiu ressentido da entidade que ajudou a construir. Não recebeu a verba rescisória, segundo contava. Ele sofreu uma queda recentemente e precisou ser internado no hospital, onde seu quadro de saúde foi se complicando ao longo dos dias. De acordo com a CBB, a família informou que ele contraiu Covid-19.

"O basquete brasileiro está de luto. Nesta segunda-feira, perdemos Édio Alves, aos 88 anos. Édio viveu o basquete por 55 anos, foi secretário-geral da CBB e esteve presente em praticamente todas as conquistas do Brasil. Descanse em paz, "Seu Édio", e obrigado por toda a devoção", comentou a CBB pelo Twitter.

Com a morte dele, se perde também boa parte da história do basquete brasileiro. Desde a organização do histórico Mundial de 1963, passando pelos torneios femininos de 1971 e 2006, e o crescimento da modalidade sob o comando de sete diferentes presidentes. Também neste mês de maio, o basquete perdeu outro de seus expoentes, Renato Brito Cunha, ex-presidente da CBB e técnico vitorioso com as seleções masculina (bronze na Olimpíada de 1964) e feminina (ouro no Pan de 1967).

Olhar Olímpico