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Brasileiro estava classificado para a Olimpíada, mas agora não está mais

Vinicius Figueira, bronze no caratê em Lima-2019  - Washington Alves/COB
Vinicius Figueira, bronze no caratê em Lima-2019 Imagem: Washington Alves/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

23/05/2020 04h00

Vinicius Figueira estava classificado para sua primeira Olimpíada. Mas agora não está mais. Indo contra o que havia prometido o Comitê Olímpico Internacional (COI), a Federação Internacional de Caratê (WKF) revogou sua própria lista de atletas classificados para os Jogos de Tóquio, reabrindo o processo de classificação.

O brasileiro disputava com o egípcio Ali Elsawy a quarta e última vaga no kumitê até 67kg pelo ranking mundial, tendo vantagem sobre o rival, quando o calendário internacional foi paralisado. A etapa de Rabat (Marrocos), última que valia pontos, foi cancelada na véspera por causa do novo coronavírus e a etapa de Madri (Espanha) ocupou seu lugar.

Quando esta também foi cancelada e ficou claro que não havia como continuar com as competições, em 18 de março a WKF anunciou que estava finalizando a primeira parte do processo de classificação para Tóquio, confirmando a classificação de 32 atletas. Menos de uma semana depois, em 24 de março, os Jogos Olímpicos foram adiados.

"Está claro que os atletas que se qualificaram para Tóquio-2020 permanecem qualificados", disse, no dia 28 de março, o presidente do COI, Thomas Bach, em postagem no Twitter. O COI depois orientou federações internacionais a tentarem manter ao máximo os critérios de classificação já existentes, assegurando a classificação a quem já estava qualificado antes da pandemia.

Esta semana, porém, a WKF anunciou que vai reabrir o ranking olímpico e que a etapa de Rabat do ano que vem será a última a valer para o ranking. Também será computado, como era previsto antes, o Campeonato Europeu, o que não interfere na disputa de Figueira. Seu rival é o egípcio, que pode acabar por tirá-lo de uma Olimpíada para a qual já estava classificado.

"Não acho que isso seja correto. Publicam que o atleta está classificado, o COI garante que vai manter as vagas e depois a federação tira esse direto? É um misto de vários sentimentos como injustiça, raiva e até de vergonha. Como até ontem eu estava classificado e hoje não estou mais?", questiona Figueira.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) decidiu que vai defender o atleta nesta discussão e vai levar a queixa até o COI, cobrando que a vaga seja assegurada a Figueira, que era o único brasileiro classificado no caratê. Valéria Kumizake também tem chances por um complexo sistema que premia os campeões dos Jogos Pan-Americanos e de outras competições regionais que estiverem mais bem posicionados no ranking mundial no fechamento do período de classificação. Outros atletas, inclusive Douglas Brose, referência do esporte no país, terão que buscar vaga pelo Pré-Olímpico Mundial.

O caratê não se adaptou ao movimento olímpico como esperado e muito dificilmente vai continuar no programa para os Jogos de Paris, em 2024.